Decreto com 400 anos que permitia matar bascos foi agora revogado na Islândia

A decisão de revogar o decreto foi apenas simbólica porque hoje em dia na Islândia é proibido "matar qualquer pessoa - bascos incluídos", brincou o comissário da província.

Quatro séculos depois da sua emissão, um decreto islandês que permitia matar pessoas bascas com impunidade foi formalmente revogado pela província de Westfjords. Em 1615 esta província da Islândia emitiu o decreto que permitia que qualquer islandês matasse um basco que encontrasse na província sem consequências.

"A decisão de revogar o decreto foi mais simbólica do que outra coisa qualquer", disse o comissário da província, Jonas Gudmundsson, que admitiu que, hoje em dia, é proibido "matar qualquer pessoa - bascos incluídos", citado pelo jornal The Guardian.

A história remonta ao ano de 1615, quando três navios baleeiros oriundos do País Basco naufragaram. Os oitenta sobreviventes chegaram à costa da província de Westfjords, na Islândia, e não tinham nada que comer nem meio de transporte, pelo que se dizia que assaltavam os locais. O governante da altura emitiu então o decreto que permitia aos islandeses matar qualquer basco que encontrassem sem consequências.

Mais de 30 bascos foram mortos na sequência do decreto, em campanhas organizadas pelos aldeãos locais. "É um dos capítulos mais negros da nossa história, disse Gudmundsson, acrescentando que se trata de um dos massacres mais sangrentos da Islândia.

Na semana passada, no 400.º aniversário do decreto, foi organizada uma cerimónia na qual esteve presente o governador da província de Gipuzkoa no País Basco espanhol, Martín Garitano, assim como alguns turistas bascos que "ficaram muito felizes", segundo Gudmundsson. O decreto foi formalmente revogado e o comissário da província de Westfjords inaugurou um memorial dedicado aos marinheiros bascos que morreram em 1615.

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