Damasco nega responsabilidade no massacre de Houla

O governo da Síria negou hoje ter responsabilidade no massacre de cerca de uma centena de civis em Houla, condenado pela comunidade internacional, e anunciou uma comissão de inquérito para apurar os factos.

"Negamos completamente termos sido responsáveis pelo massacre terrorista contra as pessoas", disse em conferência de imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) da Síria, Jihad al-Makdissi, responsabilizando "grupos terroristas" pelas mortes.

"Criámos uma comissão de inquérito conjunta das forças de segurança e da justiça que vai investigar o conjunto dos factos e divulgará os resultados dentro de três dias", acrescentou.

Sobre os bombardeamentos, Makdissi disse que nenhum tanque das forças sírias entrou em Houla e que as tropas governamentais que estavam na cidade atuaram em legítima defesa.

"Houve um ataque de terroristas das 14:00 (12:00 de Lisboa) até às 23:00 (21:00 em Lisboa). Nem um tanque sírio entrou. As forças sírias não abandonaram as suas posições", disse.

Acrescentou, contudo, que as forças sírias "retaliaram em legitima defesa" e os "confrontos continuaram".

Em resposta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que apelou para a retirada da artilharia pesada e tanques das ruas, Makdissi respondeu:"Há bairros onde existem homens armados".

"Os observadores vão às cidades e constatam isso. É um direito do Governo proteger os seus cidadãos", acrescentou.

O porta-voz do MNE sírio confirmou ainda que o enviado especial das Nações Unidas e da Liga Árabe, Kofi Annan, é esperado em Damasco na segunda-feira e apelou a um "regresso ao diálogo"

O plano de paz de Kofi Annan para a Síria - que previa a entrada em vigor de um cessar-fogo a 12 de abril, mas não tem sido respeitado - foi uma vez mais abalado pela morte de 92 civis, incluindo 32 crianças, em Houla, e pela ameaça dos opositores ao regime de Bashar al-Assad de passarem à ofensiva caso as Nações Unidas não atuem rapidamente para parar a violência.

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