Violência nas zonas rurais do Brasil aumentou 30%

O caso de assassínios de trabalhadores rurais em conflitos agrários cresceu 30 por cento em 2010 em relação ao ano anterior, divulgou hoje a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que revela que foram registados 34 casos de homicídios.

O ano de 2010 foi marcado pelo crescimento no número de assassínios no campo. Em 2009, 26 pessoas foram mortas. Segundo o estudo da CPT sobre os conflitos rurais em todo o país, foram registados 1.186 conflitos no campo brasileiro no ano de 2010. Este número permaneceu muito próximo a 2009, 1.184. Contudo, o número de conflitos na região Nordeste passou de 320, em 2009, para 440, em 2010, um aumento de 37,5 por cento. Nas demais regiões, houve uma queda na ocorrência de conflitos, indica o relatório. Dos estados no Nordeste, a CPT aponta que houve crescimento acentuado dos conflitos na Baía, de 48 para 91, um aumento de 89,6 por cento.

Assim como no Maranhão, que passou de 112 em 2009 para 199 em 2010, cerca de 77 por cento. Dos 34 assassínios ocorridos no último ano, a maioria ocorreu em casos de conflitos pela terra. A região Norte concentrou 21 destes assassínios, já o Nordeste concentra 12 e o Sudeste, onde ficam os grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, houve apenas um caso. O Pará mantém a liderança quanto ao número dos homicídios nas zonas rurais, 18. Além dos assassínios, o ano de 2010 registou 55 tentativas de homicídio e outras 125 pessoas receberam ameaças de morte, quatro foram torturadas, 88 presas e 90 foram agredidas.

Um dos últimos casos de morte de 2010 ocorreu em Alagoas em Dezembro, quando Elias Francisco Santos da Silva, de 31 anos, foi morto por "pistoleiros", homens contratados para matar. Santos da Silva estava acampado com um grupo de famílias e reivindicava a desapropriação de áreas do complexo da fábrica Utinga, no estado. Segundo a CPT, há indícios de que o assassínio esteja relacionado com a formação de milícias para a execução de lideranças camponesas em Alagoas. Os "pistoleiros" que mataram Elias expulsaram as famílias do local e ainda dispararam tiros em direcção aos polícias militares que foram ao local.

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