"Toplessaço" gera muito alvoroço e pouca participação

O "topless" coletivo convocado para hoje, na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro, foi prejudicado por uma mistura de mau tempo e pelo constrangimento gerado pela presença massiva de curiosos e de um batalhão de fotojornalistas.

"Estou muito chateada, pensei que o evento seria outra coisa. O que eu estou vendo aqui é um mega sensacionalismo", afirmou a atriz Natália Rosa, de 24 anos, que acabou por não tirar a parte de cima do biquíni.

Decepcionada, a própria organizadora do evento, Ana Rios, também decidiu não participar, justificando que a proposta não seria alcançada desta forma.

"Há um exagero bizarro dos media. Como é que isto pode dar tanta audiência? É muito desproporcional, estamos a falar de uma coisa que é natural e o que estamos a ver aqui não é isso", declarou a organizadora à Agência Lusa.

Segundo a atriz, a primeira participante a tirar a parte de cima do biquíni fê-lo a convite da emissora MTV, de forma combinada, e não representava o evento.

Com o passar do tempo, outras duas meninas resolveram mostrar ao que foram, mas decidiram ir embora pouco tempo depois, também intimidadas pelo "circo" armado ao seu redor.

"Um peito não deveria ser obsceno. Um corpo não tem o poder de ofender ninguém. Eu é que me sinto ofendida por ter de estar a defender um direito que deveria ser respeitado", afirmou uma das manifestantes, que não quis se identificar.

Em redor, a opinião masculina variava desde os apoiantes, que defendiam a causa usando a parte de cima do biquíni ou com pinturas em torno dos mamilos, até curiosos que se amontoavam para ver a cena, e com comentários machistas.

"O corpo da mulher tem que parar de ser visto como uma joia rara, que tem que ser protegido. As mulheres sofrem uma pressão muito grande para serem bonitas, isso é uma escravidão", afirmou Sérgio, médico, de 55 anos, e pai de duas meninas adolescentes.

Os comentários machistas variavam desde "Tira, tira", até "promoções" feitas por vendedores ambulantes para quem mostrasse os seios.

"O Brasil não está preparado. Fico muito triste de ver isso, me dá vergonha", lamentou o engenheiro Manoel Agostinho.

O evento, batizado de "toplessaço", chegou a receber mais de 8.000 confirmações na página oficial criada no Facebook.

A iniciativa, idealizada pela atriz Ana Rios, de 23 anos, surgiu após a realização do evento feminista Marcha das Vadias, em julho deste ano, quando o grupo foi mal recebido durante um ato realizado em meio à visita do papa Francisco.

A repressão policial sofrida pela também atriz Cristina Flores, ao tirar a blusa durante uma sessão de fotos na praia do Arpoador, na zona sul do Rio de Janeiro, há cerca de um mês, foi a "gota d'água" para colocar dia e hora ao protesto.

Ao longo da semana, na própria página do Facebook onde o evento foi criado, foram feitos diversos comentários negativos e machistas, gerando desconforto e medo em algumas participantes.

Para tentar solucionar o problema, foi marcado um ponto de encontro, na altura da rua Joana Angélica, o que serviu apenas para aglomerar a comunicação social e os curiosos.

Embora não haja uma legislação específica para proibir o topless feminino, no Brasil, a prática é repreendida com base no artigo que proíbe atos obscenos em espaços públicos.

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