Presos 4 polícias suspeitos da morte de rapaz de 11 anos

Quatro polícias foram presos hoje, no Rio de Janeiro, suspeitos de envolvimento na morte de um menino de 11 anos, que tinha sido dado como desaparecido durante um confronto entre polícias e bandidos, no mês passado.

Após quase duas semanas de buscas, o corpo de menino Juan Moraes Neves foi encontrado no último dia 30, próximo de um rio no município de Nova Iguaçu, subúrbio do Rio de Janeiro. A polícia abriu então uma investigação para apurar as causas de sua morte. Durante uma conferência de imprensa, o delegado responsável pela investigação informou hoje que Juan foi alvejado por um polícia militar. As análises também contradizem a versão dos militares no que respeita ao confronto com os traficantes. Segundo o relatório, o tiro terá sido disparado fora de combate. Para chegar a estas conclusões, os peritos avaliaram o tipo de arma utilizada e comprovaram que todos os disparos foram feitos a partir de uma espingarda, o que desmente a versão de que outro jovem, de 17 anos, também estaria armado.

O GPS dos polícias também foi analisado e indicou discordâncias entre os horários e os locais que tinham referido nos seus depoimentos. O instituto responsável pela investigação ainda está a analisar a maneira como o cadáver de Juan foi ocultado. O pedido de prisão temporária dos polícias suspeitos foi feito com o argumento da necessidade de proteger as testemunhas que poderão ajudar no esclarecimento do caso de ocultação do corpo, e que estariam a "temer" represálias. O desaparecimento do menino ocorreu em meados do mês passado. Durante a primeira fase de buscas, o cadáver chegou a ser encontrado, mas o primeiro relatório indicava tratar-se do corpo de uma menina.

Algumas semanas depois, a chefe da polícia civil do Rio, Martha Rocha, chamou a imprensa para anunciar que a perícia feita tinha sido errada e que o corpo era de facto o de Juan. A perita responsável pelo parecer errado foi afastada e encontra-se sob investigação. Já o relatório sobre o exame das balas encontradas no local onde ocorreu o tiroteio indica que a maior parte dos disparos foi realizada pelo cabo Edilberto Barros do Nascimento, de 43 anos, que está envolvido em outras 13 situações em que houve morte de suspeitos em confronto com a polícia.

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