Presidente moçambicano mantém confiança na polícia

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, manifestou na quarta-feira a sua confiança na polícia do país, apesar da violenta onda de raptos que assola o país, sobretudo a sua capital, Maputo.

Alguns dos crimes têm sido cometidos com conivência policial, como no caso de três polícias condenados na segunda-feira a 16 anos de cadeia, por integrarem uma rede de sequestradores.

Um dos condenados era membro da Guarda Presidencial, a unidade policial de elite responsável pela segurança do Presidente da República.

No mesmo dia, na Beira, segunda cidade do país, a mãe de uma criança assassinada em cativeiro denunciou que o seu filho foi morto após ter comunicado o rapto ao chefe da delegação local da Polícia de Investigação Criminal (PIC).

Em declarações aos jornalistas, a mulher disse que alguém de dentro da polícia passou essa informação aos raptores, uma vez que estes lhe telefonaram logo de seguida, dizendo que iam matar a criança, em retaliação por ela ter envolvido as autoridades.

"Tenho confiança na Guarda Presidencial e no comandante-geral da Polícia", disse Guebuza, falando numa conferência de imprensa, no final da sua presidência aberta na província de Manica, centro do país.

"Há a opinião de que as coisas não estão bem. Mas não se diz o que é que não está bem", prosseguiu o Presidente.

"Sei que a nossa polícia está a usar de todo o seu poder para resolver estes casos. Alguns dos raptores foram levados a tribunal e foram julgados, mas isto não chega e temos que fazer muito mais", acrescentou Guebuza.

Na quarta-feira, a antiga primeira-dama Graça Machel manifestou a sua "profunda preocupação perante "o silêncio do Governo" face à onda de raptos.

"Não houve sequer uma palavra do nosso Governo. O que pedimos é que as autoridades falem com o povo, falem com as comunidades", disse Graça Machel, membro do comité central da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.

"O silêncio do Governo faz as pessoas sentirem-se abandonadas e desprotegidas", acrescentou.

Hoje, milhares de pessoas estão reunidas em Maputo, numa manifestação contra a onda de raptos e o espetro de guerra que, de novo, ensombra o país.

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