Portugal devia diversificar investimento em Angola

Portugal devia investir mais nos setores da agricultura e pescas em Angola, complementando os investimentos na construção civil, imobiliário e hotelaria, disse à Lusa a presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Investimento Privado, Maria Luísa Abrantes.

Em entrevista à Lusa, a presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Investimento Privado (ANIP), Maria Luísa Abrantes, destacou a agricultura e as pescas, por serem estes os setores em que tradicionalmente os portugueses trabalharam em Angola, a que acresce as necessidades do país nesta área.

"Os portugueses são mais fortes na construção civil e também estão a entrar um pouco para o setor imobiliário e para a hotelaria. Nós gostaríamos de ver, se calhar, Portugal mais envolvido com a agroindústria, com a agricultura, com as pescas, tendo ainda em conta que temos muito interesse e necessitamos de reforçar a nossa pequena e média industria", disse.

Dos projetos de investimento estrangeiro privado entrados na ANIP, totalizando cerca de 1,5 mil milhões de euros, Portugal figura atualmente como quarto maior investidor estrangeiro em Angola, atrás da China.

Entre 2008 e 2012 o maior número de projetos, 739, veio de Portugal.

A diversificação do investimento estrangeiro vai ao encontro do desejado, mas Angola está deveras interessada é em novos projetos ligados ao agronegócio.

"Angola tem tudo para fazer. E tem estabilidade económica e estabilidade política. Não é apenas um mercado para cerca de 18 milhões de habitantes", acentua, referindo-se às oportunidades que representam os mercados vizinhos da República Democrática do Congo e Zâmbia, com mais 80 milhões de consumidores.

De momento não está previsto para Portugal nenhum "roadshow" para captação de investimento, mantendo-se o calendário de eventos e apresentações, organizados em colaboração com as embaixadas de Angola na Europa de Leste.

"Temos também convites para (conferências) nos Emiratos Árabes e solicitações de universidades", acrescentou.

Maria Luísa Abrantes considera, por outro lado, que "não passam de desculpas" as alegações de empresários portugueses quanto às dificuldades por que passam para obterem vistos de trabalho para Angola

"Acho que é uma desculpa, porquanto, normalmente, em qualquer país do mundo para se ter um visto de trabalho não se tem no mesmo dia. Angola até dá um visto privilegiado, dá o privilégio, aos administradores de poderem continuar a laborar com vistos sem serem vistos de trabalho. Só que o visto privilegiado tem um prazo e uma prorrogação única e a partir daí tem que ser um visto de trabalho", considerou.

Além disso, concluiu, as empresas insistem em trazer os seus trabalhadores com vistos de turismo e só depois tratam de os legalizar, a que acrescem as dificuldades na transferência dos dividendos.

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