Partidos políticos por detrás de violência no Rio

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, afirmou hoje que os protestos violentos ocorridos recentemente na cidade tiveram o envolvimento de partidos e organizações políticas que "desprezam" as instituições democráticas.

"Há partidos e organizações embutidos nessas ações. Esses dois jovens fazem parte de uma conceção de desprezo do institucional, do legal, do democrático [...] Estão inseridos num contexto maior, são ações que se complementam", afirmou o governador do Rio de Janeiro, citado pelo diário local "Estado de São Paulo".

Os comentários foram feitos no mesmo dia em que foi localizado e preso o alegado responsável por acender o engenho pirotécnico que matou o operador de câmara Santiago Andrade na quinta-feira.

O suspeito, Caio Silva de Souza, admitiu ter sido o responsável por acender o artefacto, mas afirmou que não conhecia o efeito e o alcance da explosão, afirmando que não tinha a intenção de ferir outra pessoa.

O artefacto atingiu a cabeça do operador de câmara Santiago Andrade, cuja morte cerebral foi decretada na segunda-feira.

O exato momento em que Santiago foi atingido foi registado por outros operadores de câmara e também pelas câmaras de vigilância da cidade, o que permitiu a identificação dos suspeitos.

O advogado de Caio Souza, Jonas Tadeu, afirmou, numa entrevista à emissora brasileira "GloboNews", que o seu cliente, bem como outros jovens da periferia do Rio de Janeiro, são aliciados por partidos políticos para participarem nas manifestações.

Ainda segundo o advogado, os jovens chegam a receber até 150 reais (cerca de 50 euros), além de máscaras e engenhos pirotécnicos, que são utilizados nos protestos.

As primeiras manifestações violentas ocorreram em junho do ano passado, num protesto convocado contra o aumento das tarifas de autocarros. Em um dos atos, em São Paulo, a Polícia Militar reagiu de forma violenta a uma manifestação pacífica, o que levou milhares de pessoas às ruas nas semanas seguintes, em apoio aos primeiros manifestantes e em protesto contra a repressão.

Desde então, outros protestos têm ocorrido, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Inicialmente pacíficos, as manifestações terminam quase sempre em violência e pilhagens.

Exclusivos