PAIGC quer conhecer "cérebro" do golpe

O partido no Governo até 12 de abril aceita diálogo com golpistas desde que seja com o "verdadeiro líder". União Africana debate situação na Guiné-Bissau.

"O PAIGC aceita dialogar com o Comando Militar, desde que seja apresentado o verdadeiro líder do golpe de Estado do passado dia 12 de abril", afirmou hoje Augusto Olivais, secretário nacional do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), no poder até ao golpe militar.

Os militares tomaram o poder invocando o impasse em torno das eleições presidenciais de 18 de março e da passagem à segunda volta do candidato do PAIGC, Gomes Júnior, e do PRS, Kumba Ialá, com este a recusar-se a participar na segunda volta, alegando irregularidades.

Com a detenção dos principais dirigentes do PAIGC, Augusto Olivais é quem se tem assumido como "condutor" do partido.

Hoje recebeu uma delegação do Movimento Nacional da Sociedade Civil, a quem informou da disponibilidade do diálogo, desde que os golpistas apresentem o seu líder.

"Desde que o Comando Militar nos apresente o rosto do golpe, estamos disponíveis para conversar. O PAIGC não pode falar com um porta-voz", disse Olivais, referindo-se ao tenente-coronel Daba Na Walna, que tem falado em nome dos golpistas.

"Já é altura de os autores do golpe dizerem ao Mundo quem é o fulano que está a dirigir esta coisa toda. Que nos mostrem o rosto de quem está por detrás desta coisa, para que a Guiné e o Mundo possam saber quem ele é, assim sim poderemos dialogar", sublinhou Augusto Olivais.

A situação guineense está a ser debatida numa reunião da União Africana (UA) a decorrer em Adis Abeba, na Etiópia. Segundo o encarregado das questões de paz e segurança da UA, do encontro devem sair uma série de recomendações para uma solução rápida, justa e duradoura" não só na Guiné-Bissau como no Mali, onde também ocorreu um golpe militar.

À partida para Adis Abeba, o ministro dos Negócios Estrangeiros angolano, Georges Chicoti, afirmou que o objetico "é encontrar mecanismos para a implementação das resoluções tomadas sobre a situação na Guiné-Bissau", nomeadamente da CPLP e da própria UA, além das recomendações do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

"Os guineenses têm que aceitar a força de interposição, que não é uma intervenção militar nos termos que pensam, mas sim uma força que deve poder ajudar os militares a voltarem para as casernas e a dar garantias ao Governo civil de que ambos podem voltar a trabalhar juntos", disse Chicoti.

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