Oito brasileiros foram vítimas de tráfico internacional

Um estudo divulgado hoje, no Rio de Janeiro, revelou que oito brasileiros foram vítimas de tráfico internacional de pessoas no ano de 2012, sendo metade para fins de exploração sexual e a outra para trabalho escravo.

Os casos, obtidos a partir de relatos das próprias vítimas à Divisão de Assistência Consular (DAC), ligado ao Ministério das Relações Exteriores do Brasil, foram identificados na Alemanha (02), Índia (02), Espanha (01), Romênia (01), Sérvia (01) e Itália (01).

Segundo o relatório, essa foi a primeira vez que a Sérvia, a Romênia e a Índia entraram na rota do tráfico de brasileiros para o exterior. Entre as oito vítimas, três eram do sexo masculino.

Os dados fazem parte de um amplo relatório que procura compilar dados sobre o tráfico de pessoas - incluindo tanto brasileiros no exterior, como casos com nacionais e estrangeiros no próprio território do Brasil.

Somente o Departamento da Polícia Rodoviária Federal (DPRF) identificou, em 2012, 547 vítimas de tráfico para fins de exploração sexual e trabalho escravo, mas as nacionalidades não foram especificadas.

Já a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) - que contabiliza crimes contra crianças e adolescentes, idosos, deficientes e LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) - recebeu 141 denúncias no mesmo período, enquanto a Secretaria de Proteção às Mulheres registou 58 ocorrências de crimes semelhantes.

As duas secretarias tratam de casos que vão desde tráfico internacional de crianças para fins de adoção (16), passando por exploração sexual (35, incluindo casos internacionais e nacionais) até o tráfico destinado à remoção de órgãos (19).

Os dados coletados pelo Ministério da Saúde mostraram atendimento a 130 vítimas, também no ano de 2012, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Social contabilizou 292 casos de vítimas de tráficos de pessoas ou crimes correlacionados em todo o território brasileiro.

Já o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) contabilizou, no mesmo período, 2.771 trabalhadores resgatados da condição de trabalho escravo no Brasil, entre os quais 46 estrangeiros, sendo 41 bolivianos e cinco paraguaios.

Os números, no entanto, não foram somados pela possibilidade de haver casos repetidos coligidos por mais de um organismo e por terem sido obtidos a partir de critérios, avaliações e fontes diferentes.

A base de comparação também é precária, por se tratar do primeiro relatório desse tipo. O documento anterior, o primeiro ligado com o tema, tentou reunir dados entre 2005 e 2011.

A intenção do Governo brasileiro agora é gerar dados periódicos para ajudar nas políticas de combate ao tráfico humano.

O tráfico de pessoa é definido pelo recrutamento, transporte, transferência, alojamento ou acolhimento de pessoas - sob ameaça ou mediante uso de força - para serviços forçados ou remoção de órgãos.

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