Novos confrontos nas ruas do Brasil no dia da Independência

Milhares de manifestantes estiveram de ontem para hoje nas ruas das principais cidades brasileiras em mais uma vaga de protestos, quer contra os gastos considerados excessivos para o Mundial de 2014, quer por diferentes reivindicações sociais e políticas, como sucedeu no Rio de Janeiro, onde se voltou a contestar quer o governador Sérgio Cabral, quer o prefeito da cidade, Eduardo Paes. Brasília e São Paulo foram palco de manifestações. Ao todo, foram recenseadas manifestações em 135 cidades do país.

As manifestações de Brasília ficaram marcadas por confrontos entre participantes e o importante dispositivo de segurança montado à volta torno do Estádio Nacional Mané Garrincha, onde as seleções do Brasil e da Austrália realizaram um amigável. As forças de segurança tiveram de recorrer a gás lacrimogêneo, a balas e bala de borracha e gás pimenta para manterem à distância os manifestantes durante o desafio em que o Brasil goleou a Austrália por 6-0.

Os protestos na capital federal foram organizados por diferentes plataformas contra a falta de transparência e os gastos excessivos de dinheiros públicos nas obras do Mundial. Para um dos manifestantes, mais importantes do que as verbas gastas nos estádios, seria a construção de escolas e investimentos na saúde", disse o militante do movimento Levante Popular, Francis Rocha, citado pela Agência Brasil.

Confrontos semelhantes ocorreram no Rio de Janeiro, tendo sido detidas pelo menos sete pessoas, segundo a AFP, que indica, por seu lado, terem sido detidas 39 pessoas em Brasília.

Aos protestos nestas duas cidades, somaram-se manifestações em São Paulo e

mais 132 cidades do Brasil, a maioria convocadas através das redes sociais, e que coincidiram com as celebrações do dia da Independência, comemorado para assinalar o episódio histórico do "grito do Ipiranga", proferido pelo então regente do Brasil e futuro rei de Portugal, D. Pedro IV, a 7 de setembro de 1822, que veio a determinar a separação dos dois reinos.

Além dos confrontos nas três grandes metrópoles do país, ocorreram ainda confrontos em Fortaleza, Salvador, Belo Horizonte e Cuiaba.

Na sua intervenção televisiva para assinalar a data, a Presidente Dilma Rousseff reconheceu a existência de sérios e "urgentes" problemas a resolver, e admitiu que a população tem direito a manifestar-se contra o que considerar serem erros de governação.

Dilma, cuja popularidade caiu de 63%, em junho, para cerca de 30% na atualidade, pediu contudo que os brasileiros tenham confiança no futuro do país.

As manifestações começaram logo de manhã cedo - início da tarde em Portugal - tiveram menor expressão do que aquelas que foram sucedendo ao longo de junho, foi notado pelas agências e diferentes analistas.

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