Moody's não vê diferenças entre Dilma e Marina

As candidatas presidenciais brasileiras, Dilma Rouseff e Marina Silva, não apresentam grandes diferenças do ponto de vista económico, apesar de aparecerem na campanha eleitoral com visões diferentes, afirmou hoje, em São Paulo, um analista da agência Moody"s.

"Dilma e Marina estão em posições opostas como candidatas. Entretanto, do nosso ponto de vista, como presidentes, elas não são tão diferentes como se pensa", disse aos jornalistas o analista sénior Mauro Leos, à margem da 16.ª conferência anual da agência de análise de riscos.

A presidente Dilma Rousseff (do Partido dos Trabalhadores/PT), que procura a reeleição, e Marina Silva (do Partido Socialista Brasileiro/PSB) lideram as sondagens, com vantagem para a atual Presidente do país.

A primeira volta das eleições presidenciais será a 05 de outubro.

Mauro Leos apresentou quatro cenários possíveis para as candidatas, favoritas para a segunda volta das presidenciais (a 26 de outubro), segundo as pesquisas de intenção de voto.

De acordo com o analista, em caso de vitória de Marina Silva, a ex-ministra do Ambiente num cenário positivo cumpriria entre 80% a 90% das suas promessas e trabalharia junto com o Congresso, uma atitude que seria "boa" para o mercado.

Entretanto, se Marina Silva cumprisse menos de 50% das suas promessas, a sua gestão do Governo da maior economia sul-americana ficaria marcada por "confrontos políticos frequentes".

Diante de uma reeleição de Dilma Rousseff, o analista da Moody"s considerou que, num cenário positivo, o segundo mandato seria "Lula Light" (numa referência ao ex-Presidente Lula da Silva), com políticas económicas estáveis e transparência na sua administração.

O cenário negativo da presidente seria a continuação da mesma política económica atual, em que os juros voltaram a subir, a inflação roçou o limite máximo da meta oficial, causando uma diminuição do crescimento do país.

Leos criticou os gastos públicos do atual governo, qualificando como "o ponto mais frágil", que levou a um crescimento mais lento da economia nos últimos três anos, situação que causou a baixa na confiança do mercado e diminuição dos investimentos privados.

Na apresentação de Leos, a Moody"s definiu o Brasil como um "caso isolado", com perspetiva de nota negativa, ao deixar no dia 09 de setembro o nível "estável", apresentando piores indicadores comparados com ao de outros países emergentes.

No entanto, a nota brasileira manteve-se em "BAA2", a segunda menor classificação dentro de uma escala de graus de investimentos.

Nos últimos quatro anos, o crescimento do produto interno bruto (PIB) brasileiro foi de 3,0% e, apesar de ser próximo ao da região, "está muito mais lento", sublinhou Leos, para quem o país terá um avanço na economia no biênio 2014-2015 em 1,4%, o mesmo nível quando o PT chegou ao poder em 2003.

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