Massacre marcou a viragem da opinião pública internacional em relação a Timor

O secretário-geral da Frente Revolucionária de Libertação de Timor-Leste (FRETILIN), Mari Alkatiri, disse hoje à agência Lusa que o massacre de Santa Cruz marcou a viragem da opinião pública internacional em relação ao país.

"Todos sabem que há 20 anos atrás o massacre marcou a diferença, marcou a viragem da opinião pública internacional em relação a Timor-Leste e muito mais particularmente da opinião pública portuguesa", afirmou Mari Alkatiri. Para Mari Alkatiri, a "partir de 12 de novembro de 1991 toda a dinâmica para a libertação nacional foi crescendo em força, em qualidade, em tudo". O secretário-geral da FRETILIN falava à Lusa no âmbito do 20.º aniversário do massacre de Santa Cruz, que foi hoje assinalado em Díli com uma missa na igreja de Motael e uma marcha até ao cemitério e que contou com a presença de milhares de pessoas.

"Vinte anos depois também é tempo de usar este evento, este acontecimento trágico para uma maior educação patriótica para as gerações atuais e futuras, os jovens, porque o que importa para defender esta independência duramente conquistada é fazer crescer o sentido de Pátria junto dos jovens timorenses e consolidar uma identidade própria e os acontecimentos de 12 de novembro fazem parte de todo esse processo de afirmação da pátria e do patriotismo", concluiu Mari Alkatiri. A 12 de novembro de 1991, mais de duas mil pessoas reuniram-se numa marcha até ao cemitério de Santa Cruz, em Díli, para prestarem homenagem ao jovem Sebastião Gomes, morto em outubro desse ano pelos elementos ligados às forças indonésias.

No cemitério, militares indonésios abriram fogo sobre a multidão. Segundo números do comité 12 de novembro, 2.261 pessoas participaram na manifestação, 74 foram identificadas como tendo morrido no local e 127 morreram nos dias seguintes no hospital militar ou em resultado da perseguição das forças ocupantes. A maior parte dos corpos continua em parte incerta.

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