Manifestação acaba com 24 detidos e seis feridos

A Polícia angolana indicou hoje que 24 pessoas foram detidas na sequência da manifestação que pedia a destituição do Presidente angolano em Luanda, tendo ficado feridos três oficiais e um agente da Polícia, noticia hoje a Angop.

De acordo com um comunicado da Polícia Nacional de Angola, citado pela agência de notícias angolana Angop, três oficiais e um agente da Polícia, juntamente com três cidadãos foram feridos por elementos ainda não identificados perto do Largo Sagrada Família, em Luanda, na sequência de uma manifestação.

A Polícia justifica que as pessoas ficaram feridas quando efectivos da corporação tentavam persuadir alguns cidadãos a não abandonarem o espaço protegido para o referido acto, a fim de evitar a desordem pública.

"Contrariando as orientações da polícia, alguns indivíduos, de forma anárquica, forçaram o cordão de segurança policial, proferindo ofensas verbais contra pacatos cidadãos que circulavam nas redondezas e aos efectivos da Polícia Nacional, alegando que pretendiam dirigir-se ao palácio", diz a Polícia no comunicado citado pela Angop.

As autoridades dizem ainda que foi "o incumprimento da ordem da polícia [que] gerou um clima de violência entre os transeuntes e os manifestantes, que culminou no arremesso de objectos contundentes, que estiveram na causa dos ferimentos", e que terão "obrigado" a polícia a deter 24 pessoas, "para que os órgãos competentes façam justiça", lamentando ainda a situação.

Durante a tarde de hoje, a Agência Lusa falou a partir de Lisboa com um dos responsáveis do protesto, que se encontrava detido com outras 11 pessoas dentro de uma carrinha policial há mais de 30 minutos, estando algumas destas pessoas em dificuldades respiratórias devido ao forte calor que se faz sentir em Luanda.

"Fomos presos, estamos numa carrinha há mais de trinta minutos e estamos quase a ficar asfixiados. A Polícia actuou com uma extrema brutalidade, estamos a ser molestados, até estou sem palavras. Está a existir muita brutalidade", disse o manifestante, que falava sob a condição de anonimato.

"Estamos aqui há mais de trinta minutos, alguns até estão quase a desmaiar. Somos doze e a carrinha não tem sequer um metro. Está um sol muito forte, estamos a ter dificuldades em respirar", explicou.

O elemento da organização disse ainda que estiveram diversos elementos da Polícia "à civil" na manifestação e que inclusivamente aconteceram várias agressões contra os manifestantes, tendo ferido um jovem e detido mais pessoas afetas à organização, que se encontram "em diversas partes" de Luanda, incertas na altura.

Os relatos da manifestação dão conta de vários feridos, pessoas detidas e também da agressão a jornalistas durante o protesto que com o objectivo de "exigir a destituição de José Eduardo dos Santos" e a "democratização dos órgãos públicos", que começou ao início da tarde de hoje, no Largo da Independência.

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