Número de pessoas com fome caiu para metade

O Brasil conseguiu reduzir para metade nos últimos dez anos a percentagem de pessoas com fome, de 10,7% para menos de 5%, de acordo com um relatório das Nações Unidas hoje divulgado em Roma.

De acordo com o relatório sobre a insegurança alimentar publicado hoje pela Organização das Nações Unidas e pelos departamentos de Alimentação e Agricultura (FAO, no original em inglês), pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola e Programa Mundial de Alimentos, o Brasil está a cumprir os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio - uma lista de oito pontos para melhorar as condições de vida das populações entre 2010 e 2015.

"Assegurar que todas as pessoas comem três vezes por dia, como disse o antigo presidente Lula da Silva no discurso inaugural, converteu-se numa prioridade presidencial", lê-se no relatório.

O programa 'Fome Zero', segundo a ONU, foi o primeiro passo para acabar com a fome no Brasil, através de um conjunto de medidas aprovadas por 19 Ministérios que junta as políticas sociais a iniciativas para fomentar a igualdade de rendimentos, o emprego, a produção familiar agrícola e a nutrição.

A junção dos esforços em diferentes áreas fez com que o Brasil tenha reduzido a taxa de pobreza de 24,3% para 8,4% entre 2001 e 2012, enquanto a pobreza extrema também se reduziu de 14% para 3,5%, de acordo com o relatório, citado pela agência espanhola Efe.

A redução da pobreza e da percentagem de pessoas com fome é também bastante visível nos restantes países onde o português é a língua oficial. Assim, em Angola a redução da proporção de pessoas malnutridas no total da população passou de 63,3% para 18% entre 1990 e 2014, o que representa uma redução de 71%.

Em Cabo Verde, a redução é de 38,9%, equivalente à descida na percentagem da população com fome de 16,1% em 1990 para 9,9% este ano.

Na Guiné-Bissau, a descida é menos significativa: apenas 23,5%, correspondente à redução da fome na população, de 23,1% para 17,7%, ao passo que em Moçambique a percentagem de pessoas malnutridas desceu de 55,4% para 27,9% nos últimos 25 anos, o que equivale a uma redução de quase 50%.

Em São Tomé e Príncipe, a percentagem de pessoas malnutridas desceu de 22,9% para 6,8%, o que representa uma diminuição de 70,1%.

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