Estudantes portugueses acusados de agressão homófoba

Quatro alunos do Instituto Politécnico de Bragança, em intercâmbio estudantil na Universidade Federal de Goiás (UFG), estão a ser acusados de uma alegada agressão homófoba a outro estudante, afirmou hoje a instituição de ensino brasileira.

"Houve uma acusação de agressão e os factos estão a ser investigados (pela universidade)", disse à agência Lusa a coordenadora de Assuntos Internacionais da UFG, Ofir Bergmann, frisando que os motivos da agressão ainda não foram esclarecidos.

O jovem brasileiro supostamente agredido tem 21 anos, é estudante do segundo ano do curso de Ciências Contábeis (Contabilidade) na UFG, em Goiânia, e declarou à imprensa brasileira que os quatro estudantes portugueses o agrediram por ser homossexual assumido.

A agressão, a socos e pontapés, teria alegadamente ocorrido no último sábado, na casa de banho da república - mantida pela universidade - em que estão a morar todos os estudantes envolvidos no caso.

A coordenadora de Assuntos Internacionais da UFG explicou que os estudantes brasileiros estão a frequentar o curso de Administração (Gestão) na UFG, no âmbito de um intercâmbio, de um semestre letivo, entre a instituição brasileira e o Instituto Politécnico de Bragança.

"Como eles estão a concluir o semestre letivo, eles têm a passagem marcada (para retornar a Portugal) para o dia 17 de março", indicou ainda a coordenadora.

Ofir Bergmann sublinhou que os alunos portugueses não sofreram nenhum tipo de punição, já que o processo administrativo de investigação da universidade está em curso.

"Como os factos estão a ser apurados, nenhuma providência será tomada antes que haja a conclusão da investigação", afirmou a coordenadora da UFG, referindo que a instituição portuguesa já foi informada do caso.

A advogada do jovem alegadamente agredido, Chyntia Barcellos, informou ao sítio eletrónico de notícias G1 que espera o resultado do exame de corpo de delito para que a polícia possa ouvir os suspeitos de terem cometido a agressão.

A advogada indicou que entrou com um processo judicial por lesão corporal e danos morais.

O presidente do Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Sobrinho Teixeira, confirmou à Lusa que teve conhecimento do caso quinta feira ao final do dia e que durante o dia de hoje os gabinetes de relações internacionais de ambas as instituições estiveram em contacto.

"Sabemos que houve essa queixa apresentada por um aluno brasileiro, também já contactámos os estudantes portugueses que dizem que os factos não são como vêm relatados na queixa apresentada", afirmou.

O responsável pelo politécnico "lamenta" a situação, "independentemente de haver culpa ou não dos estudantes do instituto".

Sobrinho Teixeira afirmou que vai "esperar pelos resultados" da investigação ao caso, pelo que prefere não "especular" sobre que medidas poderá tomar o politécnico.

Garantiu que a instituição prestará "todo o apoio que seja necessário, quer aos alunos, que ao apuramento dos factos".

O presidente do IPB frisou que "o politécnico tem um grande projeto de mobilidade e este é o primeiro incidente do género" em "muitos anos" de relação com a UFG.

No primeiro semestre do corrente ano letivo, estão a frequentar a universidade brasileira 11 estudantes do IPB, três dos quais já regressaram e no segundo semestre irão mais quatro, segundo o presidente.