Coronel que admitiu torturas encontrado morto no Rio

O coronel brasileiro reformado Paulo Malhães, que admitiu recentemente em depoimento à Comissão da Verdade ter participado em torturas e mortes de presos políticos durante a ditadura no país, foi encontrado morto na sua casa nos arredores do Rio de Janeiro.

O corpo apresentava marcas de asfixia, segundo perícia da polícia civil, citada pelo diário "O Globo".

O cadáver do militar reformado foi encontrado no sítio onde vivia em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, nos arredores do Rio de Janeiro.

A mulher de Malhães, que prestou depoimento à polícia, informou que a casa foi invadida por três pessoas, na quinta-feira, que vasculharam o recinto em busca de armas e munição.

Segundo a testemunha, o grupo manteve-a amarrada enquanto matou, por sufocamento, o coronel.

O ex-militar, de 76 anos, prestou depoimento em março à Comissão Nacional da Verdade, que investiga os crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil.

Na ocasião, Malhães admitiu em declarações aos membros da Comissão seu envolvimento com prisões, torturas e mortes de presos políticos.

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