Centenas de pessoas em manifestação de apoio a Guebuza

Centenas de pessoas participaram hoje, em Maputo, numa manifestação pró-governamental de elogio à governação do Presidente moçambicano, Armando Guebuza, tendo o número de manifestantes ficado aquém da previsão de 20.000 pessoas, anunciada pela Frelimo, que convocou a marcha.

Após um percurso pelas principais ruas da capital moçambicana, numa marcha que teve início na avenida Eduardo Mondlane, histórico líder do partido Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder, os manifestantes pró-governamentais afluíram à Praça da Independência, no centro de Maputo.

"Estou a participar, porque estou muito satisfeito com o trabalho do Presidente Guebuza", disse à agência Lusa José Aureiro, que saiu às 04:00 (02:00 de Lisboa) da localidade de Magude, no norte da província de Maputo, para participar na marcha.

Perante uma plateia de cerca de 2.000 pessoas, que se encontravam sentadas em cadeiras colocadas defronte ao palco principal, no qual estavam presentes alguns membros do Governo, como os ministros da Indústria e Comércio, Armando Inroga, da Agricultura, José Pacheco, e da Defesa Nacional, Filipe Nyussi, vários membros da Frelimo e de outras organizações não-governamentais discursaram sobre os "feitos da governação do filho mais querido da nação moçambicana".

Passando em revista os quase 10 anos de liderança de Armando Guebuza, que não esteve presente na manifestação, os apoiantes destacaram momentos marcantes dos dois mandatos do atual Presidente moçambicano, como a reversão do capital da barragem de Cahora Bassa de Portugal para Moçambique, numa ação interpretada como "a segunda independência do país".

A tensão político-militar que Moçambique está atravessar, provocado por desentendimentos entre a Renamo e Governo sobre a lei eleitoral do país, foi dos temas mais destacados nos discursos.

Entre vários apelos ao diálogo e à paz, os intervenientes apontaram críticas à Renamo, enfatizando a disponibilidade de Guebuza para negociar com o segundo maior partido moçambicano.

"O outro lado [a Renamo] é que não está a colaborar, porque eles [Governo] estão sempre disponíveis para negociar e para dialogar", comentou à Lusa a manifestante Marta de Jesus.

Intercalados na programação de intervenções de elogio à governação do Presidente moçambicano, vários grupos musicais tentaram animar os apoiantes "pró-Guebuza".

"Cantámos uma canção que fala da paz, porque queremos apelar ao diálogo. Para que haja paz em Moçambique, é preciso diálogo. Vamos trocar as armas pela enxada", apelou Jossias Fernando, líder do grupo musical "UnitsPower", da Igreja dos Apóstolos, convidados pelo Ministério da Cultura de Moçambique a participar no encontro.

Na quinta-feira, o secretário da Frelimo em Maputo, Hermenegildo Infante, disse, durante uma conferência de imprensa sobre a marcha pró-governamental, que serviu também para felicitar Armando Guebuza pelo seu 71º aniversário, que celebra na segunda-feira, que a manifestação contaria cerca de 20.000 pessoas, o que acabou por não se verificar.

Armando Guebuza termina em outubro o seu segundo mandato enquanto Presidente de Moçambique.

Alberto Vaquina, Filipe Nyussi e José Pacheco, respetivamente, atuais primeiro-ministro, ministro da Agricultura e ministro da Defesa, são, por enquanto, os pré-candidatos da Frelimo à sucessão de Guebuza.

O Comité Central do partido reúne-se no final de fevereiro para eleger o candidato oficial da Frelimo.

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