Guebuza defende solução pacífica para crise no país

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, defendeu hoje uma solução pacífica para a crise político-militar que afeta o país há mais de um ano, e reafirmou-se disponível para dialogar com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

"Eu estou sempre pronto para falar e continuo disponível. Por isso defendemos o diálogo, o diálogo a este nível [entre o Presidente e o líder da Renamo - Resistência Nacional Moçambicana]", declarou Armando Guebuza, acusando Dhlakama de "falhar aos encontros".

Respondendo à preocupação da população de Catandica, distrito de Barue, Manica, centro de Moçambique, sobre as razões do prolongamento da tensão político-militar, Armando Guebuza disse que a Renamo não cumpriu as promessas de realizar uma reunião de alto nível, entre as duas lideranças.

"O que falta para que não haja guerra em Moçambique?", questionou Alexandre Américo, um habitante local, durante um comício dirigido pelo Presidente moçambicano, no âmbito de uma visita à província a menos de quatro meses das eleições gerais (presidenciais, legislativas e assembleias provinciais) de 15 de outubro, que terminarão o segundo e último mandato de Guebuza.

No comício de hoje, o habitante de Catandica pediu ainda aos dois líderes que se sentem "à mesma mesa e pacifiquem o país, por estar a viver momentos alarmantes".

Recentemente, líderes religiosos e membros da sociedade civil moçambicana defenderam um encontro entre o Presidente e o líder da Renamo, para um diálogo sério e aberto, no sentido de buscarem soluções para pacificar o país.

Mas a tensão político-militar assistiu a uma escalada, traduzida em ataques de homens da Renamo e confrontos com o Exército no troço entre Save-Múxunguè, na estrada entre centro e sul do país.

A Renamo considera que a concentração de militares na serra da Gorongosa, Sofala, centro de Moçambique, onde se supõe que esteja refugiado o seu líder, Afonso Dhlakama, é uma manifesta atitude de resolver o problema pela via militar.

A serra da Gorongosa voltou a ser alvo de intensos ataques do exército há quase três semanas, dias antes de o partido da oposição suspender o cessar-fogo unilateral que havia decretado, em retaliação contra o reforço e ataques das Forças de Defesa e Segurança.

Igualmente foram intensificados ataques da Renamo a colunas de viaturas, escoltadas pelo Exército, no troço Save-Múxunguè, que já provocaram a morte a três militares, meia centena de feridos, incluindo civis, nas últimas duas semanas, levando o país ao seu pior momento desde a assinatura do Acordo Geral de Paz, há 21 anos.

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