Guebuza considera inviável paridade pedida pela Renamo

O Presidente moçambicano, Armando Guebuza, considerou hoje inviável a exigência da Renamo de introduzir a paridade partidária na composição dos órgãos eleitorais do país, reiterando a sua disponibilidade para dialogar com o líder daquele partido, Afonso Dhlakama.

Durante o informe anual "Estado da Nação", que apresentou hoje na Assembleia da República, Armando Guebuza dedicou cerca de 30 minutos do seu discurso, de mais de uma hora e meia, à tensão político-militar que Moçambique atravessa, e que foi motivada pela discordância da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) relativamente à Lei Eleitoral do país.

Momentos antes do início do discurso do Presidente moçambicano, os deputados que compõem a bancada parlamentar da Renamo abandonaram o plenário.

"A sugestão de que todos os partidos devem ir em igualdade de circunstâncias às eleições significa que, no cumprimento deste conceito de paridade, se tivermos cinco dezenas de partidos políticos em Moçambique, todos eles devem estar representados nos órgãos eleitorais", disse o Presidente moçambicano.

"Não se vislumbra aqui a viabilidade de uma Comissão Nacional de Eleições (CNE) com meia centena de partidos a decidir sobre matéria que precisa de tanta concentração e serenidade como as eleições", acrescentou Armando Guebuza.

No sentido da resolução do impasse em torno da Lei Eleitoral, que foi promulgada no início de 2013, o chefe de Estado moçambicano voltou a "defender a constituição de uma CNE profissionalizada, opção que, segundo disse, segue as "recomendações dos observadores nacionais e estrangeiros".

Destacando quatro desafios para a nação - aumento dos mecanismos do diálogo, imposição da autoridade do Estado no espaço geográfico do país, tranquilidade e segurança pública e redistribuição de rendimentos -, Guebuza associou pelo menos dois à crise político-militar iniciada em outubro de 2012 com o reagrupamento de Dhlakama e antigos guerrilheiros do seu partido em bases militares da província de Sofala.

No ponto relativo aos mecanismos de diálogo, no qual começou por destacar como um bom exemplo de governação a iniciativa "Presidência Aberta e Inclusiva", o chefe de Estado considerou que o "pedido urgente" da Renamo para dialogar foi "precedido de pré-condições incompreensíveis", justificando assim o falhanço nas negociações iniciadas há cerca de um ano.

"A primeira tinha a ver com o local que, entre aspas, teria de ser neutro", disse Guebuza, acrescentando que outras exigências "destinavam-se a atrasar o diálogo, incluíam a limitação da circulação das forças de defesa e segurança em algumas áreas do espaço nacional e a intromissão do Governo em assuntos que não são da sua alçada".

Sobre "a imposição da autoridade do Estado no espaço geográfico do país", Guebuza disse que "o cenário de ataques" armados que se vive no país desde abril, obrigou, em outubro, as "forças de defesa e segurança a enveredarem pela via do restabelecimento da lei, tomando o controlando de Sandjudjira e Maringué", onde a Renamo e o seu líder estavam aquartelados.

"A Renamo, e não supostos homens armados da Renamo, é que têm estado a protagonizar ataques matando, mutilando e destruindo", disse o chefe de Estado", disse.

No entanto, e apesar das várias críticas que teceu à atuação da Renamo no último ano, Guebuza deixou, uma vez mais, em aberto a possibilidade de se vir a reunir com Afonso Dhlakama.

"Queremos aqui reafirmar a nossa incondicional pré-disposição de nos encontrarmos com o senhor Afonso Dhlakama para o diálogo", enfatizou o Presidente.

"Não queremos guerra em Moçambique. A guerra deve ser assunto de ficção científica, de videogames (videojogos), produções cinematográficas e literárias", concluiu.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG