Graça Machel acusa Governo de silêncio sobre raptos

A ativista social moçambicana Graça Machel acusou hoje o governo moçambicano de silêncio perante "o terror" infligido à população pela onda de raptos que tem assolado o país nos últimos dois anos.

Uma criança de 13 anos foi assassinada pelos seus raptores no passado fim-de-semana na cidade da Beira, centro de Moçambique, depois de descobrirem que a família informou a polícia do local onde iam pagar o resgate.

A criança é a primeira vítima mortal entre as dezenas de raptos verificados nos últimos dois anos nas cidades moçambicanas, na maioria das quais as vítimas foram libertadas mediante o pagamento de elevadas somas de dinheiro.

Graça Machel expressou a "profunda inquietação das comunidades moçambicanas" sobre os raptos, na qualidade de presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), falando por audioconferência para jornalistas moçambicanas a partir da África do Sul.

"Neste caso, não há uma palavra sequer do nosso governo, aquilo que nós estamos a exigir é que as autoridades têm que falar com o povo, tem que falar com as comunidades, tem que explicar como é que se deve ligar o esforço do Estado e o esforço das comunidades, porque isso não se pode resolver apenas com medidas policiais. Este silêncio do governo deixa as pessoas com o sentido de estarem abandonadas e desprotegidas", afirmou Graça Machel.

A sociedade moçambicana, assinalou a ativista social, está refém dos raptores, que, com a sua atuação, têm espalhado um sentimento de terror e insegurança.

"Nós não queremos ficar reféns dos sequestradores, eles é que devem ter medo de nós e não deve ser a sociedade a ter medos deles. Neste momento, porque nos faltam elementos de como construir a nossa proteção, estamos reféns e entregues ao medo", declarou Graça Machel.

Para a presidente da FDC, a sociedade não se revê na forma como as autoridades estão a lidar com os raptos, situação que faz com que as vítimas deste tipo de criminalidade recorram a meios próprios para se salvarem.

"Os cidadãos não se encontram, não se revem na forma como o Estado está a responder à situação dos raptos. Os casos que são resolvidos não é muito claro que tenham sido resolvidos por intervenção correcta e clara das instituições, muitos cidadãos recorrem a meios próprios e a amigos para resgatar os seus entes queridos", disse Graça Machel.

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