Fuga de opositor boliviano para o Brasil faz cair MNE

A Presidente Dilma Rousseff afastou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros Antonio Patriota, após ser conhecida a notícia de que um diplomata brasileiro na Bolívia organizou a fuga de um opositor de um opositor ao regime de Evo Morales. O opositor, Roger Pinto Molina, estava refugiado há 15 meses na representação diplomática de Brasília na capital boliviana, La Paz.

O anúncio da demissão de Antonio Patriota foi feito pela Presidência após uma reunião deste com Dilma Rousseff. O novo responsável pela diplomacia brasileira será Luiz Alberto Figueiredo, representante do Brasil na ONU. As funções asseguradas por este passarão a serem desempenhas pelo ministro agora demitido.

O afastamento de Patriota sucedeu pouco depois de se saber que o senador boliviano Roger Pinto Molina se encontrava em Brasília desde domingo, tendo conseguido sair da embaixada do Brasil em La Paz com apoio expresso de um elemento desta representação diplomática, Eduardo Saboia.

Conhecido opositor ao regime de Morales, Molina encontrava-se há 455 dias na embaixada do Brasil, país a que pedira asilo político. Tendo o Brasil concedido asilo ao político boliviano, La Paz recusava-se a conceder-lhe salvo-conduto para abandonar o país, alegando que aquele era investigado em processos judiciais.

Depois de saber que Molina está no Brasil, a Bolívia pediu a intervenção da Interpol e classificou o opositor como um fugitivo à justiça.

O caso está a suscitar alguma tensão entre os dois Governos, até porque algumas figuras próximas de Dilma Rousseff são consideradas próximas de colaboradores de Morales. No plano interno, o gesto de Eduardo Saboia caiu como uma bomba, notando os comentadores ser inédito, nas últimas décadas, um diplomata brasileiro assumir um comportamento desta natureza e, em particular, atendendo às relações entre os dois países envolvidos.

Os media brasileiros revelam alguns detalhes da fuga de Molina, que teria ocorrido sob o disfarce de uma comitiva automóvel da embaixada, viajando o boliviano acompanhado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Ricardo Ferraço, do PMDB. Os veículos tinham matrícula diplomática e com Molina seguiam dois militares brasileiros da equipa de segurança da embaixada.

Ao fim de uma viagem de 22 horas, os dois veículos passaram finalmente a fronteira brasileira. Durante o trajeto, escrevem vários media, passaram por cinco controles militares bolivianos, incluindo o da fronteira comum.

Numa entrevista à TV Globo, Eduardo Saboia declarou ter "escolhido a vida. Decidi proteger uma pessoa, um perseguido político", e sublinhou ter agido por iniciativa própria.

Molina é dirigente do partido Convergência Nacional, de direita, já foi condenado no passado por desvio de fundos, quando era governador da província de Pando. Atualmente, acusa algumas figuras do regime de Morales de terem ligação ao narcotráfico.

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