Deputados da oposição angolana abandonam trabalhos do parlamento

A sessão parlamentar de hoje em Luanda iniciou-se com um atraso de duas horas e meia, apenas com a participação dos deputados do partido no poder, porque a oposição abandonou o hemiciclo em bloco, disse à Lusa fonte parlamentar.

Adalberto da Costa Júnior, deputado do principal partido da oposição, a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), disse que o abandono se deveu, acusou, à "intransigência" do grupo parlamentar do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA, no poder).

"Todos os deputados da oposição abandonaram porque não há condições para se trabalhar sem que antes se faça um debate sobre o que se está a passar em Angola, com violações à vida, a falta de liberdade de imprensa ou a falta de diálogo", salientou Adalberto da Costa Júnior.

O abandono foi decidido depois de na conferência de líderes o presidente do grupo parlamentar do MPLA, Virgílio Fontes Pereira, ter recusado aceitar o debate defendido pela oposição.

O MPLA dispõe de maioria qualificada, com 175 assentos, enquanto a UNITA elegeu 32, a coligação eleitoral Convergência Ampla de Salvação de Angola (CASA-CE) tem oito e o Partido da Renovação Social (PRS) e a Frente Nacional de Libertação de Angola FNLA) elegeram três e dois deputados, respetivamente.

A Lusa tentou contactar o deputado Virgílio Fontes Pereira, mas tal não foi possível, porque o deputado se encontra na sessão que está a decorrer, e os jornalistas da Lusa, à semelhança de outros profissionais da imprensa estrangeira, foram hoje impedidos de entrar no parlamento.

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