Denúncias de 'lobby' aumentam pressão sobre Min. Trabalho

A pressão sobre o Ministério do Trabalho do Brasil aumentou com a denúncia, publicada hoje pelo jornal O Estado de São Paulo, de que o ministro Carlos Lupi permitia livre acesso de 'lobistas' na instituição.

De acordo com a reportagem, ex-empregados do ministério agiam como intermediários para facilitar o registo de novos sindicatos.

Desde 2007, quando Carlos Lupi assumiu o cargo, mais de 1.000 sindicatos obtiveram o registo, documento necessário para que tenham direito a parte dos 2 mil milhões de reais arrecadados anualmente pelo imposto sindical.

Citando informações passadas por sindicatos, o jornal afirma que ex-funcionários do Ministério do Trabalho agem hoje como "consultores", cobrando dinheiro de quem necessita do registo. Em troca, utilizam os seus contactos para acelerar processos, furar filas e negociar pendências.

"Se eu falar que não tenho contactos, estou a ser hipócrita", afirmou a 'lobista' Martha Moreira, que, antes de ajudar os sindicatos a obter os registos, trabalhou na criação da portaria de 2008 que estabelece as regras para a atribuição do documento.

A assessoria de imprensa do ministério disse que "não dispõe de informações sobre a vida profissional de prestadores de serviços contratados por empresas interpostas".

A crise no Ministério do Trabalho começou no dia 05 de Novembro, quando a revista Veja denunciou que assessores da pasta cobravam "luvas" de organizações não governamentais (ONG) que desviavam recursos de acordos com o Governo.

Carlos Lupi passou a semana passada a dar explicações e chegou a participar numa audiência pública no Congresso, negando ter conhecimento de qualquer esquema de corrupção.

No último sábado, a mesma revista denunciou que, em 2009, o ministro fez uma viagem oficial num avião pago pelo empresário Adair Meira, responsável de duas ONG beneficiárias de acordos sob suspeita, avaliados em 10,4 milhões de reais.

O Ministério do Trabalho divulgou uma nota em que atribui a responsabilidade pelo avião ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), ao qual Lupi é filiado. O comunicado afirma que o ministro cumpriu "agendas oficiais e partidárias" na viagem, mas não deu mais esclarecimentos sobre a denúncia.

O jornal Folha de São Paulo publica hoje que elementos do Palácio do Planalto consideraram insatisfatórias as explicações e que a permanência de Lupi no Governo depende de esclarecimentos mais "consistentes".

Desde o início do Governo da Presidente Dilma Rousseff, seis ministros foram afastados dos seus cargos, cinco deles por denúncias de corrupção.

O caso mais recente ocorreu há menos de um mês, com a saída de Orlando Silva do Ministério do Desporto, após uma série de denúncias de irregularidades que também envolviam a cobrança de "luvas" de ONG através de acordos.

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