Brasil realiza a sétima eleição presidencial direta

O Brasil realiza em outubro a sétima eleição presidencial direta desde o fim da ditadura militar e terá como principais candidatos a atual Presidente, Dilma Rousseff, Aécio Neves e Marina Silva, entre escândalos políticos e acidentes aéreos.

Na época do regime militar (1964-1985), existiam apenas dois partidos, a ARENA (Aliança Renovadora Nacional, ligado aos militares) e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro, oposição) e muitos cargos políticos eram designados de forma indireta, sem a participação do voto da população.

A partir de 1980, foi permitido a criação de outros partidos.

Apesar de alguns cargos governamentais serem escolhidos de forma direta pela população, as eleições presidenciais continuavam a ser indiretas.

O "Diretas Já" foi um movimento civil de reivindicação por eleições presidenciais diretas no Brasil ocorrido entre 1983 e 1984, em que participaram os políticos da oposição, com o apoio massivo da população brasileira.

O movimento não conseguiu o que pretendia e o Presidente foi eleito por um colégio eleitoral indireto, formado pelos membros do Congresso Nacional.

Tancredo Neves, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) - fundado em 1980 como sucessor do MDB -, foi o escolhido pelo colégio eleitoral, mas com a sua morte antes mesmo de tomar posse, o vice-presidente José Sarney assumiu o cargo em 1985.

Em 1989, com uma nova Constituição aprovada (1988), realiza-se a primeira eleição direta para a Presidência da República Federativa do Brasil depois do fim do regime militar.

Fernando Collor de Mello, na altura do Partido da Reconstrução Nacional (PRN, de centro-direita) venceu Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT) - fundado em 1980 e fruto de movimentos sindicais, considerado um partido de base socialista -, na segunda volta das eleições.

Collor de Mello - conhecido como "o caçador de marajás" pelo seu "combate aos corruptos" no estado de Alagoas, sofreu um processo de 'impeachment' em 1992, mas renunciou ao cargo antes do final da ação, tendo sido substituído pelo vice-presidente, Itamar Franco, que completou o mandato.

A eleição presidencial de 1994 foi vencida por Fernando Henrique Cardoso (FHC), do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB, social-democrata, fundado em 1988 e integrado por muitos políticos que saíram do PMDB), na primeira volta, ficando Lula da Silva novamente em segundo lugar.

Cardoso, pai do Plano Real e símbolo da recuperação económica do país, conseguiu reeleger-se nas eleições de 1998, na primeira volta, e Lula da Silva ficou novamente na segunda posição do sufrágio.

Luiz Inácio Lula da Silva torna-se Presidente nas eleições de 2002, ao vencer o candidato do PSDB, José Serra, antigo ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, na segunda volta das eleições.

Neste primeiro mandato, Lula da Silva pôs em prática vários programas sociais -- alguns sendo uma continuidade de projetos similares iniciados na Presidência de Fernando Henrique Cardoso -- entre os quais, o Fome Zero (Programa Comunidade Solidária, no governo FHC), para enfrentar o flagelo da fome, o Bolsa Escola (que também já existia no governo FHC) e o Bolsa Família (transferência de rendimento para os mais pobres).

A reeleição de Lula da Silva acontece em 2006, ao derrotar na segunda volta o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, atual governador de São Paulo, que é agora também candidato à reeleição.

Os governos do PT também foram marcados pelos escândalos de corrupção, como o mensalão (pagamento a deputados de outros partidos para aprovarem projetos do governo), a prisão de líderes históricos do partido, como José Dirceu e José Genoíno, e o escândalo da compra de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, que causou graves problemas à Petrobras.

Apesar dos escândalos, o crescimento económico do país e os projetos sociais no Governo Lula da Silva - que tiraram cerca de 36 milhões de pessoas da extrema pobreza nos últimos 10 anos, de acordo com o governo brasileiro -- tiveram muita influência na eleição da sua sucessora, Dilma Rousseff, em 2010, que venceu José Serra na segunda volta.

Entretanto, a insatisfação da classe média urbana, que se manifesta nas ruas por melhores serviços de saúde, escola e segurança, somado ao aumento da inflação, ao baixo crescimento da economia brasileira nos últimos anos e aos insistentes escândalos de corrupção, fez o PT perder eleitorado.

Dilma Rousseff terá como adversários diretos Aécio Neves (PSDB), que tem a preferência da ala mais conservadora no Brasil, e Marina Silva, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), considerada uma opção para o eleitorado diante da polarização dos últimos 20 anos entre PT e PSDB.

Marina Silva era candidata à vice-presidência no PSB, mas o candidato presidencial Eduardo Campos morreu num acidente de avião a 13 de agosto - no qual morreram sete pessoas, em Santos, no litoral de São Paulo - o que levou a ex-senadora a concorrer à Presidência do país.

A primeira volta das eleições será a 05 de outubro e, se nenhum candidato obter mais de 50% dos votos válidos, a segunda volta acontecerá, se for o caso, a 26 de outubro.

Nestas eleições, estão a concorrer 11 candidatos ao cargo de Presidente do Brasil e ainda serão escolhidos pelos brasileiros os governadores dos 26 estados e do distrito federal, além de deputados estaduais, deputados distritais, senadores e deputados federais.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil possui 32 partidos registados no órgão e um total 142.822.046 eleitores, dos quais 354.184 votantes no exterior. Os brasileiros que vivem no estrangeiro só votam para o cargo de Presidente.

Em Portugal, residem 92.120 brasileiros, de acordo com o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF). Naquele país, há 17.286 eleitores brasileiros registados em Lisboa, 12.374 eleitores no Porto e 1.250 em Faro, de acordo com dados fornecidos pela chefe da 1ª Zona Eleitoral do Exterior do Brasil, Juliana Bandeira.

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