Angola precisa de mais de 10 anos para desminagem

Angola conseguiu estender até 2018 o prazo para a desminagem de todas as áreas suspeitas, que o país estima serem ainda 2.000, mas poderá precisar de outros dez anos para concluir o trabalho, revela hoje um relatório.

A informação consta do relatório anual da Campanha Internacional para a Erradicação de Minas (ICBL), divulgado hoje em Genebra, segundo o qual 2012 registou, a nível mundial, o mais baixo número de vítimas de sempre, a maior quantidade de terreno contaminado jamais libertado e o maior nível de financiamento da ação anti-minas de sempre.

Segundo o relatório, as minas antipessoais e outras armas do género fizeram 3.628 vítimas em 2012, entre mortos e feridos, tendo Angola, Moçambique e a Guiné-Bissau sido três dos 62 países ou territórios onde se registaram vítimas.

No capítulo relativo a Angola, a ICBL recorda que foi um dos quatro países, juntamente com o Afeganistão, Chipre e o Zimbabué, que no ano passado obtiveram extensões do prazo previsto para completarem os seus programas de desminagem, ao abrigo do Tratado de Erradicação de Minas de 1997.

No caso de Angola, o prazo foi estendido por cinco anos, até 01 de janeiro de 2018.

Em maio deste ano, o país reportou ter 1.110 áreas suspeitas de terem minas e outras 965 com confirmação de existência de minas.

Dez das 18 províncias têm pelo menos 80 áreas suspeitas, "o que indica a extensão e o alto nível de contaminação ainda existente", embora metade da contaminação se concentre em quatro províncias: Moxico, Cuando Cubango, Bié, e Cuanza Sul, pode ler-se no relatório.

Está previsto, acrescenta o documento, que um trabalho de levantamento iniciado em 2011 e um projeto de mapeamento que começou em maio de 2013 permitam clarificar a extensão da contaminação até 2016. Isto permitirá planear e pedir um novo prorrogamento do prazo, reconhece a ICBL.

"Angola já afirmou que projeta precisar de mais de 10 anos para além de 2018", pode ler-se no relatório, segundo o qual prosseguem entretanto as operações de limpeza, realizadas pelo Instituto Nacional de Desminagem e por organizações não-governamentais internacionais.

Também Moçambique merece um capítulo especial no relatório da ICBL, segundo o qual a área suspeita de conter minas no país quase quadruplicou desde que Maputo obteve um prorrogamento do prazo para concluir a retirada e destruição das minas espalhadas no terreno.

Desde que lhe foi concedida a extensão do prazo, em 2008, Moçambique identificou muitas novas áreas suspeitas de conter minas.

"Isto resultou num aumento de quase 300% na área que é necessário limpar" relativamente às previsões contidas no pedido de prorrogamento.

Embora inicialmente estivesse dentro do prazo, em maio último Maputo pediu um segundo adiamento do prazo, até dezembro de 2014.

Até lá, o país espera conseguir completar a limpeza dos 9,26 km2 de área contaminada por minas, incluindo as zonas fronteiriças com o Zimbabué.

O Tratado de Erradicação de Minas, de 1997, no seu artigo 5.º, obrigava os Estados signatários a identificar as zonas do seu território suspeitas de conter minas e limpar todas as zonas minadas até 01 de janeiro de 2013, mas já no ano passado os peritos lamentavam o número crescente de Estados que pedem a extensão do prazo para concluírem as operações de desminagem.

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