Amnistia Internacional pede justiça para vítimas

A Amnistia Internacional apelou hoje, em comunicado divulgado à imprensa, aos governos de Timor-Leste e da Indonésia para investigarem e levarem à justiça os responsáveis pelo massacre de Santa Cruz, ocorrido a 12 de novembro de 1991.

"Ambos os governos têm de investigar e levar à justiça todos os responsáveis pelos assassínios, desaparecimentos forçados, uso excessivo da força e outras violações dos direitos humanos durante a manifestação pacífica", refere o comunicado. No documento, a Amnistia Internacional recorda um relatório especial da ONU, divulgado em 1994, em que é referido que os "membros das forças armadas indonésias foram responsáveis por assassínios durante a marcha" e que se tratou de uma "operação militar planeada" sem cumprimento das "normas internacionais de direitos humanos".

Segundo a Amnistia Internacional, o número exacto de mortos, desaparecidos e feridos durante o massacre e o rescaldo permanece desconhecido, embora se estime que mais de 200 pessoas tenham sido mortas e cerca de 400 feridas. "A Amnistia Internacional insta as autoridades timorenses e indonésias para iniciarem imediatamente uma investigação independente, imparcial e efetiva aos acontecimentos no cemitério de Santa Cruz de 12 de novembro de 1991, que deve ser feita no âmbito de uma investigação mais ampla aos graves crimes cometidos entre 1975 e 1999", insiste a organização de defesa dos direitos humanos.

Para a Amnistia Internacional, os "timorenses e os indonésios também devem julgar os criminosos em julgamentos justos, sem pena de morte e garantir a reparação das vítimas".

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