Água portuguesa na posse dos deputados guineenses

O secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros, Luís Campos Ferreira, o único representante de um Governo estrangeiro, foi recebido com "muita honra" na cerimónia. O apoio de Portugal à nova legislatura guineense é considerado em Bissau de enorme simbolismo. É o ponto final na suspensão das relações entre os dois países.

A marca portuguesa, naquele que foi o primeiro ato oficial da nova legislatura guineense, não podia ter sido mais simbólica. Por um lado, contou com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação (SENEC), cuja presença foi muito elogiada pelas autoridades e partidos. "É com muita honra que recebemos o secretário de Estado português", declarou o vice-presidente da Assembleia Nacional Popular, que resumiu a este o único cumprimento personalizado às várias entidades presentes. Como se não bastasse a distinção, para reforçar esta ligação, eram garrafas de água mineral portuguesa que os novos deputados tinham em cima das suas mesas para se refrescarem.

Mas foi Luís Campos Ferreira, o único representante de um Governo europeu, o motivo de todas as conversas. Esta visita tem um significado histórico, que é o início do restabelecimento das relações institucionais entre Portugal e a Guiné-Bissau, interrompidas desde o golpe de Estado, em abril de 2012. "A vinda do secretário de Estado é, para nós é uma mensagem muito forte de Portugal", afiançou ao DN o embaixador Dino Seidi, que acompanhou a cerimónia, coordenador do Gabinete Estratégico do PAIGC, partido que ganhou as eleições. "A nossa ligação com Portugal é muito afetiva, sentimos que faz parte de nós", sublinhou, refutando qualquer tipo de "saudosismo colonial".

"É uma relação de amizade e irmandade, de um povo africano e de um povo europeu cujos destinos se cruzaram", assinala.

Na assistência estava também um emocionado Abdoulai Jaló, 26 anos, do Partido Socialista da Guiné-Bissau, que estudou sociologia-política no Brasil. "Para o povo guineense este é um virar de página depois de dois anos de sufoco e abismo político. Hoje o país está a começar de novo", sublinha, elogiando também a presença portuguesa. "Significa que não nos abandonaram." Na oposição ao partido do Governo, Abdoulai apela a que os novos dirigentes políticos acabem com "os clientelismos e coloquem as pessoas certas nos lugares certos".

Abdoulai Seidi está de acordo e considera que "só o diálogo" entre todas as forças políticas pode "consolidar" a nova realidade. "A diversidade é a nossa vantagem, temos um mosaico político muito diverso. Não se pode conduzir com prepotência".

Esta tarde Luís Campos Ferreira tem agendados encontros com o primeiro-ministro eleito, Domingos Simões Pereira, com Alberto Nambeia, líder do PRS, o maior partido da oposição, com Ramos Horta, representante especial da ONU para a Guiné-Bissau e com Ovídeo Pequeno, representante da União Africana.

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