União Africana "particularmente preocupada" com denúncia do acordo de paz

A União Africana mostrou-se hoje "particularmente preocupada" com o anúncio da Renamo de denunciar o acordo de paz assinado de 1992, e rejeitou "qualquer tentativa para minar a estabilidade e os notáveis ganhos económicos alcançados".

A presidente da Comissão da União Africana, Nkosazana Dlamini-Zuma, está a "seguir atentamente os recentes desenvolvimentos em Moçambique e está particularmente preocupada com o anúncio feito pela Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) de se retirar dos acordos de paz de 1992 assinado com o Governo de Moçambique e sublinha a total rejeição de qualquer tentativa de minar a estabilidade e os notáveis ganhos económicos alcançados até à data", lê-se num comunicado enviado às redações.

De acordo com a mesma nota, a presidente da comissão sublinha a necessidade "de todas as partes envolvidas afirem num espírito de restrição e diálogo para permitir a Moçambique conintuar no seu notável caminho rumo ao desenvolvimento e ao crescimento, e continuar a consolidar as suas instituições democráticas, incluindo a realização pacífica e com sucesso das eleições previstas para novembro deste ano".

Moçambique vive a sua pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz (AGP) em 1992, após o exército moçambicano ter desalojado na segunda-feira o líder da Renamo, principal partido da oposição, Afonso Dhlakama, da base onde se encontrava aquartelado há mais de um ano, no centro do país.

Afonso Dhlakama e o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, fugiram para local incerto, enquanto as forças de defesa e segurança moçambicanas mantém a ocupação da residência do líder do movimento, em Sandjunjira, na província de Sofala, e o partido denunciou o acordo de paz assinado em 1992 com a Frelimo.

Em junho último, elementos da Renamo levaram a cabo ataques contra autocarros e camiões na região de Machanga, também no centro de Moçambique, que se saldaram em pelo menos três mortos e seis feridos e que levou o exército a fazer escoltas militares na principal estrada da região.

O partido de Dhlakama reivindicou ainda a morte de 36 militares e polícias das forças de defesa e segurança moçambicanas, a 10 e 11 de agosto, numa "ação de autodefesa", no centro do país, e o líder da Renamo já tinha condicionado as negociações com o Presidente Armando Guebuza à retirada do exército da serra da Gorongosa.

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