Combatente do Estado Islâmico elogia ataque ao jornal 'Charlie Hebdo'

"Os leões do Islão vingaram o nosso profeta", afirmou, avisando ainda que se seguirão ataques piores.

Um combatente do Estado Islâmico elogiou o ataque ao jornal satírico francês que resultou na morte de pelo menos 12 pessoas, tendo dito à Reuters que o ataque foi uma vingança aos insultos contra o Islão. Homens encapuçados entraram na redação do 'Charlie Hebdo' naquele que é o pior ataque em solo francês nas últimas décadas. Entre os mortos estão os editores do 'Charlie Hebdo' - publicação conhecida por satirizar o Islão - e dois polícias.

"Os leões do Islão vingaram o nosso profeta", afirmou Abu Mussab, um sírio que luta pelo Estado Islâmico, que tem conquistado território no Iraque e na Síria. "Estes são os nossos leões. São as primeiras gotas, mais seguirão", disse via internet desde a Síria. Acrescentou que ele e os outros combatentes estão muito felizes com o que aconteceu. "Deixem estes cruzados terem medo porque devem ter."

Ainda ninguém reivindicou o ataque em Paris.

Abu Mussab disse que não conhecia os autores do ataque, mas acrescentou que "eles estão no caminho do emir... e do nosso sheikh Osama (Bin Laden)". O emir referido é o líder do Estado Islâmico Abu al-Baghdadi. O fundador da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, foi morto por forças americanas em 2011, no Paquistão. Em 2013, a ala da Al-Qaeda no Iémen publicou uma nota que dizia "Procurado morto ou vivo por crimes contra o Islão", que mostrava vários críticos do Islão, incluindo Stéphane Charbonnier, o editor do 'Charlie Hebdo', que foi morto no ataque de hoje.

No Twitter, simpatizantes têm expressado a sua profunda satisfação. Um escreveu: "Não iremos parar com o ataque ao 'Charlie Hebdo'. O pior está para vir." As frases árabes "paris arde" e "vingança pelo profeta" estão entre as hashtags utilizadas pelos admiradores do tiroteio.

Numa mensagem de um proeminente jornalista saudita, Jamal Khashoggi, lê-se: "'Charlie Hedbo' é um jornal satírico, onde nada é sagrado. Era abusivo para Jesus Cristo e para os símbolos de todas as religiões e nós como muçulmanos rejeitamos isso - mas para eles isto é liberdade de expressão."

As primeiras reações dos governos de países muçulmanos são críticas. O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, condenou o atentado e disse que associar o Islão ao terrorismo seria um erro. Pediu por uma luta contra o extremismo e a islamofobia. "A nossa religião é de paz... Somos contra todos os géneros de terrorismo", disse aos jornalistas em Ancara.

Também a Arábia Saudita, onde nasceu o Islão, o governo egípcio e o líder da autoridade islamita egípcia Al-Azhar, condenaram o ataque.

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