China enfrenta até 500 protestos por dia contra abusos de direitos

A China justifica os abusos de direitos humanos como "necessários para preservar a estabilidade social", mas a pressão dos ativistas e das até 500 manifestações por dia, está a desafiar as autoridades, segundo um relatório da Human Rights Watch (HRW).

"O Governo censura a imprensa, a internet, as publicações impressas, a pesquisa académica, e justifica os abusos de direitos humanos como necessários para preservar a estabilidade social", escreve a HRW no seu 'Relatório Mundial 2014', que se reporta a acontecimentos do ano passado.

O "forte controlo" imposto pelas autoridades chinesas às liberdades individuais tem vindo, no entanto, a ser mitigado pelas rápidas mudanças socioeconómicas, escrevem os analistas da HRW, salientando que, "de acordo com estatísticas oficiais e académicas, baseadas nos relatórios das forças de segurança, haverá cerca de 300 a 500 protestos por dia, que juntam dezenas de milhares de participantes".

Além das recolocações involuntárias de habitantes "em grande escala", o "Governo autoritário de um só partido pratica políticas altamente repressivas contra as minorias étnicas no Tibete, Xinjian e Mongólia Interior", acrescenta o relatório, notando, no entanto, que os cidadãos estão cada vez mais preparados para desafiar as autoridades em assuntos quotidianos, como a tomada de posse das terras, os despejos compulsivos, a degradação ambiental, os enganos da justiça, o abuso de poder, a discriminação e a desigualdade económica.

"Apesar dos riscos, os utilizadores da internet e os meios de comunicação que apoiam as reformas estão agressivamente a empurrar os limites da censura, defendendo mais transparência e um Estado de direito, denunciando os erros e as irregularidades das autoridades, e exigindo reformas políticas", escreve o relatório no capítulo referente à China.

"Os grupos da sociedade civil continuam lentamente a expandir o seu trabalho apesar do seu estatuto precário, e uma informal mas resiliente rede de ativistas monitoriza e documenta os casos de abusos de direitos humanos, enfrentando o controlo policial, detenção, prisão, desaparecimento forçado e tortura", conclui o relatório.

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