Cameron garante que Reino Unido não paga resgates a grupos extremistas

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, garantiu hoje em entrevista à Sky News que o Reino Unido não paga resgates, aludindo ao refém britânico que os radicais do Estado Islâmico estão a ameaçar de morte.

Cameron revelou tratar-se de uma "situação desesperadamente difícil", mas reiterou que a política seguida no Reino Unido é de não patrocinar grupos extremistas, advertindo que o dinheiro dos resgates iria ser usado pelos jihadistas para "alimentar o conflito".

"Quando sabemos que algum cidadão britânico foi raptado em qualquer parte do mundo tento fazer com que todos, Governo e serviços secretos, possam tomar as medidas necessárias para poder ajudar a resolver o assunto. Mas seguimos uma política clara, não pagamos resgates. Temos toda a simpatia para com as famílias e ajudamos em tudo o que estiver ao nosso alcance", explicou Cameron em entrevista à estação de televisão britânica Sky News.

O primeiro-ministro repetiu ainda o aviso de que o Estado Islâmico é "uma ameaça direta" ao Reino Unido, sublinhando a necessidade de "fazê-lo desaparecer", lembrando ao mesmo tempo, ter a certeza de que o pagamento de resgates irá fortalecer aquele grupo extremista, que irá usar o dinheiro para compra de armamento e para mais raptos.

Cameron é o anfitrião da Cimeira da NATO que se realiza hoje e sexta-feira, em Newport, País de Gales, na qual os líderes da Aliança Atlântica vão debateras crises no Iraque e na Ucrânia.

O chefe do Governo britânico adiantou que vai pedir aos participantes na cimeira que assinem uma declaração sobre o Estado Islâmico, já que é preciso "união de todos para travar este grupo extremista".

Cameron sublinhou que há que aprender com erros do passado, uma vez que houve alturas em que resgates foram pagos, mas os raptos continuam, assim como o escalar de violência no Iraque e na Síria.

O primeiro-ministro britânico acredita que é "preciso tempo" para que se consiga anular os extremistas do Estado Islâmico, concordando com o presidente norte-americano, Barak Obama, quando este diz ser necessário uma abordagem de "longo prazo, forte, inteligente e paciente" para lidar com os jihadistas.

"O mundo seria melhor se conseguíssemos acabar com estes grupos", frisou Cameron, sublinhado que o crescimento do Estado Islâmico pode estar ligado ao facto de o presidente sírio, Bashar al-Assad, continuar a "perseguir a população, sem que haja uma oposição forte e oficial" contra o líder sírio, e de o Estado do Iraque não ser "livre e democrático".

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