Boko Haram matou mais de mil pessoas em três meses

Pelo menos 3.750 civis morreram em ataques do Boko Haram no ano passado e as mortes no primeiro trimestre deste ano aumentaram em relação ao igual período de 2014.

A organização não governamental de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou hoje que mais de mil civis morreram em ataques do movimento extremista Boko Haram nos primeiros três meses deste ano.

"Cada semana que passa temos conhecimento de mais agressões do Boko Haram contra a população civil", disse o investigador nigeriano da HRW, Mausi Segun, numa declaração por correio eletrónico.

"O governo da Nigéria precisa de fazer da proteção dos civis uma prioridade nas operações militares contra o Boko Haram", acrescentou.

De acordo com a HRW, pelo menos 3.750 civis morreram em ataques do Boko Haram no ano passado e as mortes no primeiro trimestre deste ano aumentaram em relação a igual período de 2014.

A obtenção de informação sobre o número exato de mortos e feridos no conflito com o Boko Haram é difícil, devido às dificuldades nas comunicações com a região nordeste da Nigéria, e as deslocações às zonas perigosas.

Um organismo que acompanha as questões de segurança na Nigéria, o Nigeria Security Tracker, do Conselho para as Relações Externas, um 'think tank' norte-americano, atribuiu 2.268 mortes ao Boko Haram e a "atores estatais".

Existe também uma variação relativamente aos números gerais de pessoas mortas desde o início da rebelião do Boko Haram, em 2009, todos eles obtidos através dos 'media'.

No ano passado, o presidente da Nigéria, Goodluck Jonathan, disse que mais de 13 mil pessoas tinham morrido. Alguns grupos referem nove mil mortos, outros 17.500.

As autoridades nigerianas têm sido criticadas pela resposta aos ataques dos rebeldes e só recentemente deram início a uma operação concertada de retaliação, com a ajuda do Níger, Chade e Camarões.

A HRW considerou que a morte de civis subiu desde fevereiro, quando o Boko Haram alargou as ações além fronteiras e aumentou os ataques suicidas contra alvos como mercados e estações de autocarros.

Segun referiu que as forças de segurança nigerianas "não conseguiram garantir as medidas necessárias de proteção de civis" durante operações militares.

Alegadamente, as forças de segurança atacaram e incendiaram a aldeia de Mundu, no estado de Bauchi, em dezembro. Neste incidente morreram cinco pessoas.

Quando contactadas pela HRW, as forças armadas nigerianas afirmaram desconhecer o incidente, mas acrescentaram ter ordenado a abertura de um inquérito, afirmou a ONG, que considerou a investigação como "um primeiro passo importante".

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