Ativista egípcio condenado 'in absentia' a 15 anos de prisão

Um tribunal do Cairo, no Egito, condenou hoje a 15 anos de prisão o célebre militante pró-democracia, Alaa Abdel Fattah, bem como outras 24 pessoas acusadas de participação em manifestações ilegais.

O acesso dos vinte e cinco à sala de tribunal foi negado. Cada um dos acusados foi igualmente condenado a uma multa de 100 mil libras egípcias (cerca de 10 281 mil euros). Os 24 detidos com Fattah foram também condenados a 15 de prisão, sob acusações de participação em manifestações e motins, de bloquearem ruas ou agredirem forças políciais.

Alaa Abdel Fattah, um dos líderes da revolução que, em 2011, depôs o então Presidente, Hosni Mubarak, havia já sido detido em novembro, sob acusações de violência numa manifestação não autorizada. Foi, depois, libertado em março.

O seu advogado, Ahmed Seif, declarou hoje à AFP que, visto que o seu cliente foi julgado in absentia, "por não ter sido autorizado a entrar na sala do tribunal", este poderá ainda voltar a ser julgado durante a sua detenção. Seif sublinhou ainda que "nem os advogados da defesa nem os da acusação se haviam ainda defendido" e que o acesso aos vídeos que, alegadamente, contêm as provas da acusação, não foi ainda facultado.

Acerca do ex-chefe do exército e atual Presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sissi, que em julho de 2013 derrubou o regime de Mohamed Morsi, Presidente eleito após a queda do regime de Mubarak, Alaa Fattah afirmou à AFP: "A presidência de Sissi não reconduzirá o país à era Mubarak, ela será pior do que o regime de Mubarak."

As autoridades, outrora apenas militares e atualmente governamentais, têm, desde o fim do anterior regime em julho de 2013, perseguido os islamitas - da Irmandade Muçulmana do ex-Presidente Morsi -, assim como manifestantes da juventude, bastante ativa nas manifestações atuais e antes de 2011 contra Mubarak, ou jornalistas, entre os quais três repórteres da Al-Jazeera, detidos em fevereiro deste ano sem acesso às provas de acusação.

Também Seif, o advogado de Fattah, é definitivo: "o verdadeiro objetivo destes julgamentos (...) é impedir os críticos do regime de se candidatarem às eleições legislativas." A mãe de Fattah, Laila Soueif, disse hoje à britânica BBC: "O sistema judicial no Egito não tem nada que ver com lei ou justiça."

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