Ataque 'revela' fraqueza de Cabul

 Islamitas mostram capacidade de actuar no centro da capital. É o 11.º ataque no espaço de um ano

Os talibãs voltaram a atacar ontem o centro de Cabul numa acção coordenada contra hotéis habitualmente frequentados por estrangeiros.

Os ataques iniciaram-se de madrugada com a explosão de um veículo armadilhado junto de um dos hotéis, o Aria; pouco depois, dois grupos de militantes investiam contra o Park Residence e o Safi Landmark Hotel, este último uma das principais unidades da capital afegã.

Desde Fevereiro, no espaço de um ano, os talibãs realizaram 11 acções terroristas em Cabul, incluindo a de ontem, que causaram 78 mortos (ver cronologia).

O ataque sucede num momento em que os talibãs sofreram um importante revés na província de Helmand, onde foram desalojados de um dos seus bastiões, Marjah, e coincide com o anúncio em Washington de estar iminente uma outra operação de envergadura em Kandahar, outra província sob influência dos islamitas radicais. Se estas duas províncias passarem de forma efectiva para o controlo das forças afegãs e da NATO, os talibãs teriam perdido dois dos seus principais pontos de apoio e plataforma de trânsito de armas e militantes do vizinho Paquistão.

O ataque de ontem vitimou, entre os estrangeiros, o diplomata italiano Pietro Antonio Colazzo e o realizador francês Séverin Blanchet, de 66 anos, actualmente na capital afegã a formar cineastas deste país.

A acção do diplomata italiano revelou-se decisiva para contrariar o ataque dos radicais islamitas, tendo "fornecido informações preciosas graças às quais foi possível retirar dos locais atacados outros quatro italianos", revelou horas depois do ataque o chefe da polícia de Cabul, general Abdul Rahman Rahman. "Ele estava a passar-nos informações ao telefone sobre os atacantes quando um deles o abateu", explicou aquele oficial afegão.

Entre os mortos da acção de ontem, entretanto oficialmente reivindicada pelos talibãs, figuram ainda nove cidadãos indianos, sendo militares e civis afegãos as restantes vítimas.

A ofensiva sobre Marjah constitui apenas um "prelúdio" a operações de maior envergadura a decorrer ao longo de 2010, em particular na província de Kandahar. Esta região é considerada o foco de origem do movimento talibã afegão e assume particular valor simbólico para os radicais islamitas, sendo a província de origem do seu líder, o mullah Omar.

"Consideramos Marjah um prelúdio táctico a operações mais importantes em Kandahar, que é um importante centro populacional e estratégico", explicou à AFP um responsável americano a coberto do anonimato. Kandahar "é a pedra angular das operações militares este ano", insistiu aquele elemento da Administração Obama.

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