Ataque à TV5Monde é sem precedentes na história da televisão

Yves Bigot, diretor-geral do canal internacional francês, revelou que o ataque "sem precedentes" ocorreu através da Internet. Governo francês anunciou já a abertura de uma investigação judicial.

O ataque informático contra a TV5Monde é "totalmente sem precedentes na história da televisão", declarou hoje à agência de notícias AFP Yves Bigot, diretor-geral do canal internacional francês.

"É totalmente sem precedentes para nós e sem precedentes na história da televisão", explicou o responsável da TV5Monde, acrescentando que este ataque ocorreu "através da Internet".

O Governo francês anunciou hoje que foi aberta uma investigação judicial sobre o ataque informático sofrido, na noite de quarta-feira, pelo canal internacional francês TV5Monde, avançando que serão reforçados os meios técnicos e humanos destinados à luta contra o `ciberjihadismo".

O ataque à rede de televisão TV5Monde, que é transmitida para mais de 257 milhões de lares em 200 países, foi reivindicado por piratas `jihadistas" alegadamente pertencentes ao movimento extremista muçulmano Estado Islâmico (EI).

Os piratas colocaram também documentos na página da TV5Monde no Facebook com o que alegaram ser a identificação e os currículos de familiares de soldados que participam nas operações contra este grupo.

O ataque informático ocorreu por volta das 22:00 (21:00 em Lisboa).

O diretor-geral da cadeia de televisão afirmou hoje que não se encontram ainda em condições de restabelecer a transmissão em direto, estando a ser transmitidos programas previamente gravados.

O primeiro-ministro francês, Manuel Valls, considerou hoje, através da rede social Twitter, que este ataque é uma "afronta inaceitável contra a liberdade de informação e de expressão", manifestando o seu "total apoio à redação".

O apoio governamental concretizou-se também numa visita à sede de Paris da televisão dos ministros dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, do Interior, Bernard Cazeneuve, e da Cultura, Fleur Pellerin.

Cazeneuve referiu que irão reforçar os meios judiciais, técnicos e legislativos para prevenir este tipo de ataque, referindo ainda que a investigação judicial em marcha terminará "rapidamente" para identificar os seus autores.

A ministra da Cultura anunciou que, hoje ou na sexta-feira, irá reunir-se com os dirigentes dos grandes meios de comunicação do país para analisar os pontos mais frágeis e os riscos existentes e a maneira de abordá-los.

"A prioridade dever ser a `ciberdefesa" e a `cibersegurança"", acrescentou Fabius, sublinhando que o executivo deve não só "estar à altura do desafio", assim como adiantar-se às estratégias destes grupos terroristas.