Uma primeira dama cristã para o país dos talibãs

Rula Ghani já mostrara que estava disposta a quebrar tabus ao fazer campanha para as presidenciais afegãs ao lado do marido. Agora, a nova primeira dama do país que já foi dos talibãs veio dizer que pretende ter uma vida pública.

Ghani, um professor universitário com ligações ao mundo dos negócios internacionais e ao sector económico, conheceu Rula nos anos 70 em Beirute, onde ambos estudavam na Universidade Americana. Com nacionalidade libanesa e americana, a mulher do novo Presidente afegão é vista como um grande apoio de Ghani. E durante a campanha para as presidenciais chegou mesmo a fazer um discurso diante de uma audiência de partidários do marido e pai dos seus dois filhos.

"Quero aproveitar esta ocasião para agradecer à minha parceira e minha mulher pelo apoio que me deu, a mim e ao Afeganistão", afirmou Ghani num inédito elogio público de um líder afegão à primeira dama no dia em que tomou posse no palácio presidencial onde o casal se instalou.

De etnia pastune, Ghani tem repetido querer dar mais protagonismo às mulheres na política afegã. E foram várias as organizações de defesa das mulheres que manifestaram o desejo de ver Rula Ghani assumir um papel de primeira dama ativa e influente.

Ghani garantiu já que a mulher irá continuar o seu trabalho "de ajuda aos refugiados, mulheres e crianças".

A própria imagem de Rula Ghani parece ser um desafio aos talibãs que continuam a ameaçar a estabilidade do Afeganistão com os seus atentados. Apesar de usar véu na maioria das suas aparições públicas, a primeira dama já se deixou inclusive fotografar de cabeça descoberta.

Durante o regime dos talibãs - entre 1996 e 2001 -, as mulheres eram obrigadas a usar burqa e não podiam sair de casa sem a companhia de um homem da sua família. As raparigas estavam proibidas de frequentar a escola.

Com o presidente Hamid Karzai, antecessor de Ghani, o Governo afegão introduziu, em 2009, uma nova lei que visava eliminar a violência contra as mulheres, que penalizava os casamentos forçados e com menores, bem como o baad, a prática tradicional que consiste em oferecer uma jovem para resolver um diferendo. Mas a ONU denunciou que as autoridades afegãs ainda têm algumas reticências em aplicar esta lei. Já a Amnistia Internacional apelou a Cabul para fazer dos direitos das mulheres uma prioridade.

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