Suspeitos de violação coletiva declaram-se inocentes

Cinco homens suspeitos da violação coletiva de uma jovem indiana que acabou por morrer dos ferimentos declararam-se hoje inocentes num caso que chocou a Índia e motivou enormes manifestações.

A jovem estudante de fisioterapia, de 23 anos, foi brutalmente violada e agredida por seis pessoas num autocarro em Nova Deli quando regressava do cinema acompanhada por um amigo, que também foi agredido, e acabou por morrer dos ferimentos, duas semanas depois, num hospital de Singapura.

Hoje, cinco dos seis suspeitos - o sexto será julgado num tribunal de menores - foram acusados de crimes que incluem homicídio, violação coletiva e sequestro num julgamento especial para que seja rápido a chegar a uma sentença.

"Todos os cinco declararam-se inocentes e querem que o julgamento continue", disse o advogado de defesa V.K. Anand, citado pela AFP.

Os cinco homens entraram no tribunal rodeados de fortes medidas de segurança, com as caras escondidas em lenços. Ficaram no interior durante cerca de 10 minutos e foram levados para o exterior.

Na próxima terça-feira, o tribunal começa a ouvir as testemunhas, disse o advogado.

A acusação diz ter fortes provas contra os cinco homens, incluindo roupa manchada de sangue, testes de ADN, registos de chamadas de telemóvel, confissões e testemunhas oculares.

O caso agora em julgamento, que ocorreu a 16 de dezembro, motivou manifestações em todo o país para exigir mais segurança para as mulheres.

Hoje o governo indiano aprovou legislação para tornar mais duras as penas para casos de violação.

"Tomámos medidas rápidas e esperamos que estes passos permitam que as mulheres se sintam mais seguras no nosso país", disse o ministro da Justiça, Ashwani Kumar, aos jornalistas.

"É uma legislação progressista e é consistente com a sensibilidade da nação na sequência da revoltante violação coletiva", acrescentou.

As mudanças agora aprovadas pelo governo têm de ser aprovadas pelo presidente, Pranab Mukherjee, para se tornarem lei. Espera-se que o presidente aprove a nova legislação ainda este fim de semana, devendo depois ser ratificada pelo Parlamento.

Segundo as mudanças, a sentença mínima para casos de violação coletiva, violação de menor, violação por um polícia ou por elementos das autoridades duplica, passa de 10 para 20 anos de prisão, e pode ser prolongada até prisão perpétua.

A lei prevê ainda a imposição da pena de morte quando a vítima seja morta ou fique em estado vegetativo.

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