PR da Birmânia promete libertar todos os presos políticos

O Presidente birmanês, Thein Sein, anunciou, esta segunda-feira, na capital britânica, que todos os presos políticos vão ser libertados até ao final do ano e defendeu ainda ser possível alcançar um cessar-fogo com grupos étnicos dentro de semanas.

"Asseguro-vos que pelo final deste ano não haverá prisioneiros de consciência em Myanmar" (antiga Birmânia), afirmou o chefe de Estado, num ato que figura como o mais recente no âmbito das reformas que tem levado a cabo desde que chegou ao poder em 2011.

"Procuramos nem mais nem menos do que uma transição de meio século de regime militar e autoritarismo para a democracia", declarou Thein Sein, em Londres, cidade que visita pela primeira vez.

O Presidente birmanês demonstrou ainda estar otimista quanto ao fim de décadas de conflito entre o Governo e mais de uma dezena de grupos étnicos desde que o país conquistou a independência do império britânico em 1948.

"Muito provavelmente nas próximas semanas teremos um cessar-fogo nacional e as armas estarão em silêncio em todo o Myanmar (Birmânia) pela primeira vez em 60 anos", disse, indicando que se seguem "difíceis conversações" e que "duras promessas precisam de ser feitas".

Thein Sein esteve antes reunido com o primeiro-ministro britânico, David Cameron, o qual instou o Presidente birmanês a defender os direitos humanos durante o diálogo.

O chefe de Estado prometeu uma abordagem "tolerância zero" às pessoas que "incitem o ódio étnico" na sequência dos ataques contra a minoria muçulmana Rohingya durante os quais foram mortas centenas de pessoas.

Dando as boas-vindas ao líder birmanês na passadeira vermelha no exterior do número 10 da Downing Street, David Cameron afirmou estar muito satisfeito por ver Thein Sein na sua "histórica visita".

"Além da continuação do seu processo de reforma, também estamos muito ansiosos por ver maior ação em termos da promoção dos direitos humanos e ao nível da gestão dos conflitos regionais", afirmou David Cameron, que no ano passado se tornou no primeiro primeiro-ministro britânico a visitar a Birmânia.

David Cameron disse ainda que a Grã-Bretanha está "particularmente preocupada com o que aconteceu em Rakhine e aos muçulmanos Rohingya".

Os violentos confrontos entre budistas e muçulmanos, que eclodiram no ano passado no estado de Rakhine, resultaram em cerca de 200 mortos, a maioria dos quais da minoria muçulmana.

Nos últimos meses também se verificaram alguns focos de conflitos.

Cerca de uma dezena de manifestantes reuniram-se no exterior do gabinete de David Cameron durante a visita de Thein Sein a Londres apelando a uma maior ação para proteger os Rohingya.

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