Operação militar neutraliza base para tráfico de ópio dos talibãs

Ofensiva visa afirmar controlo de Cabul sobre província de implantação islamita

As forças internacionais e afegãs controlam a maior parte da província de Helmand no final do quarto dia daquela que está a ser considerada uma das maiores operações militares contra a guerrilha islamita no Afeganistão.

Dos 13 distritos de Helmand, apenas Baghran, Deshu e pequenas localidades (ver gráfico) não se encontram sob controlo das unidades afegãs e da Força Internacional para a Assistência e Estabilização (ISAF, sigla em inglês), segundo declarações ontem em Cabul numa conferência de imprensa do comando da Operação Moshtarak (vocábulo que significa "unidade" no dialecto dari, um dos mais importantes no país e uma das duas línguas oficiais).

A operação provocou até agora a morte de dezenas de talibãs e de três militares das forças afegãs e internacionais; em incidentes separados, morreram 19 civis.

O optimismo expresso em Cabul estava um passo à frente da situação no terreno, conforme notícias divulgadas ontem pelas agências. O principal instrumento táctico dos islamitas radicais, as bombas artesanais, continuavam a ser o principal obstáculo a vencer pelas forças coligadas nos arredores de Marjah, principal cidade sob controlo dos talibãs em Helmand, uma das províncias onde possuem maior implantação.

"Descobrimos centenas de minas", afirmava um oficial afegão. Afirmação corroborada por um tenente americano: "o número de bombas artesanais que encontrámos é muito superior às nossas expectativas". O facto estaria a retardar a progressão . Os talibãs estariam a recuar, mas deixando minados os acessos às localidades e as estradas. Neutralizar estes engenhos e garantir a segurança na área de operações vai demorar um mês, referia um oficial responsável da operação.

Emboscadas estariam também a travar o avanço, mas o nível de resistência e a intensidade dos combates estão a ser inferiores às projecções iniciais.

"Somos alvo de ataques de atiradores emboscados ou de incursões pontuais, mas o nível de resistência é menor agora [ontem] e mais desorganizada", afirmava o oficial de uma companhia marines envolvida na ofensiva.

A Operação Moshtarak pode considerar-se o primeiro teste real no terreno à estratégia delineada pela Presidência Obama, ao mesmo tempo que representa um tipo de acções que vinha a ser reclamado pela NATO - o ataque a zonas de produção ou de tráfico de ópio, a principal fonte de divisas dos talibãs. A cidade de Marjah é considerada uma das principais plataformas de tráfico de ópio.

A operação cumpre um objectivo igualmente importante: permitir a instalação dos serviços do Governo de Cabul e de uma administração provincial capaz de garantir à população local serviços e segurança.

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