"Mulheres de conforto" não são "questão diplomática"

Um porta-voz do Governo japonês declarou hoje que o caso das mulheres forçadas à prostituição nos bordéis do exército nipónico durante a II Guerra Mundial não são "uma questão diplomática". Esta declaração surge como resposta a palavras pronunciadas ontem pelo Presidente Barack Obama que, após ter visitado Tóquio, seguiu para a Coreia do Sul onde afirmou que a situação em causa correspondia a "uma monumental violação dos direitos humanos.

"O primeiro-ministro Shinzo Abe expressou o seu pesar pelo imenso sofrimento [dessas mulheres] e não se deve tornar essa questão numa questão política ou diplomática", afirmou o porta-voz adjunto do Governo, Katsunobu Kato.

Após a passagem pelo Japão, o Presidente dos Estados Unidos declarou em Seul que o sistema de prostituição forçada de mulheres sul-coreanas, mas também filipinas, chinesas e de outros países asiáticos, instituído pelas forças armadas nipónicas durante a II Guerra Mundial foi "uma violação terrível e monumental dos direitos humanos. Essas mulheres viram os seus direitos desrespeitados de uma forma chocante, mesmo numa situação de guerra".

A questão das "mulheres de conforto" permanece um ponto de atrito nas relações entre o Japão e a Coreia do Sul, mas também de outros países da região. Estes acusam sucessivos Governos em Tóquio de não terem mostrado arrependimento na questão.

Até ao momento, não houve encontros entre a Presidente sul-coreana Park Geun-hye e o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe, apesar dos dois terem estado sentados à mesma mesa no final de março na Holanda, tendo entre si precisamente Barack Obama.

Num momento de crescente tensão internacional e com a possibilidade de nova escalada na região com um iminente quarto ensaio nuclear da Coreia do Norte, Washington estaria a tentar encontrar formas de uma maior sintonia entre Tóquio e Seul, capitais dos países que são os principais aliados dos EUA na Ásia, consideram alguns analistas.

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