Mais de 200 pessoas julgadas por tumultos no Xinjiang

Tribunais chineses vão começar a julgar esta semana mais de 200 pessoas suspeitas de envolvimento nos sangrentos tumultos étnicos de Julho em Xinjiang, no noroeste do país, informa hoje o jornal oficial China Daily.

Os arguidos responderão a acusações que vão desde o vandalismo contra propriedade pública a assassínio e fogo posto, segundo o diário.

A maioria das detenções foi efectuada em Urumqi e Kashgar, uma cidade do sul do Xinjiang com forte concentração de membros da etnia uigur, predominante na região mas minoritária na China.

Um procurador judicial de Urumqi, a capital regional, declarou ao China Daily que 718 pessoas foram detidas por envolvimento nos tumultos, que causaram 197 mortos, segundo fontes oficiais chinesas, e mais de 800, segundo exilados uigur, uma etnia que é turcófona e muçulmana.

Segundo o jornal, mais de 1.700 pessoas ficaram feridas nos incidentes.

A imprensa oficial garantiu na semana passada que a acusação recolheu "400 quilos de provas", principalmente tijolos e objectos contundentes manchados de sangue, bem como 91 vídeos e mais de 2.000 fotografias acusatórias.

A violência em Urumqi teve início a 05 de Julho quando manifestantes uigur atacaram imigrantes etnia han, maioritaria na China, em represália por um ataque a trabalhadores da sua etnia dias antes, numa fábrica de brinquedos de Cantão, no sul do país.

Nos dias seguintes, os han tentaram vingar-se dos ataques uigures em Urumqi, que esteve ocupada durante semanas por forças paramilitares.

A maioria dos julgamentos decorrerá à porta fechada, por implicar questões relacionadas com a segurança nacional, segundo fontes do tribunal de Xinjiang, sendo os restantes julgados em público.

As audiências decorrerão em Urumqi, principal cenário dos violentos tumultos de Julho, pelo que as autoridades anunciaram já que as forças de segurança estarão em alerta máximo por recearem novos incidentes.

As autoridades acusaram reiteradamente a activista uigur Rebiya Kadeer, exilada nos Estados Unidos, de ter fomentado a violência, mas não sustentaram com provas essas acusações.

Kaader condenou a violência e disse que as autoridades chinesas a tinham transformado num bode expiatório, tendo justificado os tumultos como consequência das políticas chinesas em relação à sua etnia, tendentes a dissolver a sua cultura e a marginalizá-la economicamente.

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