Wen Jiabao diz que China entrou numa fase crucial

O primeiro-ministro chinês cessante, Wen Jiabao, apelou hoje a uma "maior coragem política e visão" na governação do país, afirmando que o processo de reformas em curso na China "entrou numa fase crucial".

"O desenvolvimento (económico) ainda é a chave para resolver todos os nossos problemas (...). Só aderindo à política de Reforma e Abertura podemos continuar a avançar", disse Wen Jiabao aos cerca de 3.000 delegados à Assembleia Nacional Popular, cuja sessão anual começou hoje em Pequim.

Ao apresentar pela última vez o relatório da atividade do governo, Wen Jiabao, 70 anos, realçou que ao fim de 33 anos de reformas económicas, a modernização da China entrou agora "numa fase crucial".

"Temos de libertar ainda mais as nossas mentalidades, realizar completas reformas económicas, políticas, culturais e sociais e aprofundá-las constantemente", apontou.

Wen Jiabao completará na próxima semana o segundo e último mandato de cinco anos à frente do governo, devendo ser substituído pelo vice-primeiro-ministro executivo, Le Keqiang.

O primeiro-ministro chinês cessante defendeu nomeadamente que a China "precisa de melhorar o sistema de economia de mercado socialista" e "aprofundar a reforma das empresas estatais e das indústrias-chaves".

"Devemos consolidar e desenvolver com determinação o setor público da economia e encorajar, apoiar e guiar o desenvolvimento do setor não público", afirmou.

Wen Jiabao insistiu também que o país deve "acelerar a mudança do seu modelo de crescimento económico", para um padrão mais centrado no mercado interno e no "aumento do consumo individual".

No plano político e social, Wen Jiabao defendeu o "reforço da proteção ambiental" e exortou os sucessores a "manter canais regulares para o povo exprimir as suas exigências" e a "combater firmemente a corrupção".

"Devemos governar o país com base na lei e respeitar plenamente a autoridade da Constituição e das leis", disse.

Fazendo um balanço do seu último mandato, iniciado em 2008, Wen Jiabao realçou que a economia chinesa cresceu em média 9,3% ao ano e é hoje a segunda maior do mundo, à frente do Japão e da Alemanha.

"Conseguimos contrariar o grave impacto da crise financeira e manter um firme e rápido desenvolvimento económico", afirmou.

Entre outros indicadores socioeconómicos, Wen Jiabao destacou ainda o aumento anual do rendimento da população, que subiu 8,8% nas zonas urbanas e 9,9% nas zonas rurais.

A sessão anual da Assembleia Nacional Popular decorrerá durante doze dias no Grande Palácio do Povo, em Pequim.

Além do relatório apresentado por Wen Jiabao, os delegados vão aprovar a proposta de orçamento de Estado para 2013, os relatórios do Supremo Tribunal e da Procuradoria-geral e outros documentos.

Em termos mediáticos, porém, a reunião ficará marcada pela eleição dos títulos dos principais cargos do Estado, nomeadamente o Presidente da República.

Como Wen Jiabao, o ainda presidente Hu Jintao está a completar o segundo e último mandato.

Xi Jinping, que já ocupa o mais importante cargo político do país, o de secretário-geral do Partido Comunista Chinês (PCC), deverá assumir também a presidência da República.

A sucessão assinala a ascensão ao topo do poder da chamada "quinta geração de líderes da Nova China", a primeira já nascida depois do PCC ter tomado o poder, em 1949.

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