Vinte milhões de chineses sem mulher para casar

O fosso entre o número de rapazes e raparigas nascidos na China diminuiu em 2011, pelo terceiro ano consecutivo, mas no final da década, haverá 24 milhões de homens que não encontrarão uma mulher para casar, foi hoje noticiado.

Os dados apurados pelo Gabinete de Estatísticas da China "mantêm-se acima do limite, confrontando o país com a árdua tarefa de aliviar o desequilíbrio entre os sexos", alertou o Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC).

Em 2011, nasceram 117,78 rapazes por cada 100 raparigas, contra 117,94 por 100 em 2010 e 119,45 por 100 no ano anterior.

O recorde, neste domínio, ocorreu em 2008, quando nasceram 120,56 rapazes por 100 raparigas, muito acima do «ratio» considerado normal (entre 103 e 107 por cada 100 raparigas).

"É um problema demográfico e também um grave problema social", disse um responsável da Comissão Estatal da População e Planeamento Familiar citado pelo Diário do Povo.

Segundo estimativas oficiais, em 2020, haverá mais 24 milhões de homens em idade de casar do que mulheres.

O fenómeno está associado à drástica política de controlo da natalidade "um casal, um filho", imposta há 30 anos em todas as zonas urbanas da China.

Devido à tradicional preferência por um filho do sexo masculino, o único que transmite o apelido da família aos descendentes e trata dos pais na velhice, muitos casais interrompem a gravidez se descobrem que o feto é do sexo feminino.

Os médicos e hospitais estão proibidos de fazer testes para apurar o sexo dos futuros bebés, mas no ano passado, só numa província (Jiangxi), foram descobertos 2.064 casos de violação dessa regra, referiu o Diário do Povo.

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