Interdependência económica poderá ditar "integração" de Taiwan a longo prazo

A interdependência económica entre Taiwan e a China continental poderá ditar, a longo prazo, uma "integração" se a ilha mantiver autonomia para decidir se quer ou não uma reunificação, prevê o académico Shaw Chong-hai.

"Taiwan depende hoje profundamente das relações económicas com a China. Se a situação não se alterar, Taiwan terá de ponderar associar-se com a China no futuro, em termos económicos e políticos", disse em entrevista à agência Lusa o decano da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Cultura Chinesa de Taiwan.

Nascido na província chinesa de Sichuan e a viver em Taiwan, para onde a família se mudou em 1949, aquando da tomada de poder pelo Partido Comunista no continente por o seu pai trabalhar para o Kuomintang, o académico de 65 anos considera que "as pessoas dos dois lados do estreito de Taiwan merecem viver em paz" e acredita que "um dia Taiwan e China vão discutir a sua integração".

"Mas não penso que seja fácil, num futuro próximo, alcançar-se um acordo de paz", sublinhou.

Taiwan - a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois do Partido Comunista tomar o poder no continente - é vista por Pequim como uma província chinesa e não como uma entidade política soberana.

A China defende a "reunificação pacífica", segundo a fórmula já adotada em Hong Kong e Macau, "um país, dois sistemas", originalmente concebida para equacionar a questão de Taiwan, mas ameaça "usar a força" se a ilha declarar a independência.

Ao lembrar que "académicos dos dois lados do estreito tentaram nos últimos 20 anos encontrar uma solução, mas não conseguiram", Shaw Chong-hai realçou que em Taiwan "até o Partido Democrático Progressista é favorável a uma integração", mas não a uma reunificação.

"A integração poderá ter como último objetivo a reunificação, mas se no caminho Taiwan considerar que a China não é um parceiro adequado poderá ter o direito de decidir voltar atrás", disse.

Neste contexto, sustentou, integração significa "que em termos económicos os dois lados podem cooperar, em termos culturais têm o mesmo conceito, mas em termos políticos trabalham juntos, não só sobre a reunificação, mas também sobre outras opções".

O primeiro-ministro taiwanês, Sean Chen, afirmou em março que a fórmula "um país, duas áreas" regula a relação com a China na atual presidência.

Mas, para Shaw Chong-hai, a reunificação conta com outro obstáculo: os EUA. "Washington pretende que se alcance uma resolução pacífica no estreito de Taiwan, mas não ia gostar de ver uma reunificação, porque Taiwan ainda tem para si um valor estratégico no sentido de deter a expansão militar da China", sustentou.

Os EUA reconhecem que só há uma China governada por Pequim, mas têm um pacto com Taiwan, ao abrigo do qual se consideram responsáveis pela defesa da ilha, a quem vendem regularmente equipamento militar.

Em meados da década de 1990, Taiwan, com cerca de um terço da área de Portugal e mais de 23 milhões de habitantes, passou a contar com um sistema democrático, através da eleição de um presidente e um parlamento por sufrágio direto e universal, de quatro em quatro anos.

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