Dezenas de milhares voltam às ruas de Hong Kong

Após um fim de semana marcado pelos confrontos entre manifestantes pró-democracia e as forças de segurança, dezenas de milhares de pessoas voltaram hoje, segunda-feira, às ruas do centro de Hong Kong, num ambiente marcado pela tensão mas também pela confraternização e respeito pelas regras.

Melhor exemplo deste último caso é relatado esta tarde pelo site do South China Morning Post: estão milhares de pessoas junto ao Monumento à Guerra mas ninguém pisa ou se senta na relva que existe em seu redor, tendo a placa que existe habitualmente no local sido substituída por um cartão manuscrito onde se pede para que não se pise a relva.

Os manifestantes são maioritariamente jovens, mas não só. Há gente um pouco de todas as idades, tendo-se mesmo organizado, durante o serão (em Hong Kong são mais sete horas do que em Lisboa), vários churrascos mais ou menos improvisados, para matar a fome a quem se recusa a arredar pé.

Os protestos que se iniciaram no fim de semana levaram mesmo a que várias escolas e bancos não abrissem portas esta segunda-feira.

Segundo a BBC, o ambiente hoje mantém-se tenso, mas menos do que em dias anteriores, até porque a presença policial foi reduzida.

No domingo à noite, a polícia de intervenção dispersou manifestações utilizando gás lacrimogéneo e pimenta sobre a multidão.

As manifestações iniciaram-se em protesto pelas alterações ao sistema político de Hong Kong imposto por Pequim, que visa permitir a realização de eleições diretas apenas com candidatos que sejam previamente aprovados pela China.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.