China reforça segurança no Tibete após manifestações

As autoridades chinesas reforçaram o seu controlo nas regiões tibetanas, após a onda de suicídios e manifestações contra o domínio da China no Tibete.

Vários tibetanos se têm manifestado contra o domínio da China no Tibete. O objetivo dos atos de manifestação é arruinar a ideia de "sociedade harmoniosa" que a China perpetua e que esteve em destaque no 18º Congresso do Partido Comunista Chinês (PCC) disseram, à AFP, Organizações não Governamentais e habitantes da zona.

A polícia aumentou as suas patrulhas, especialmente na cidade de Tongren, na província de Quinghai, depois de milhares de manifestantes se terem reunido ontem contra o domínio chinês, indicou a organização 'Free Tibet'.

De acordo com as autoridades do Tibete, em exílio na cidade indiana de Dharamslala, em apenas 48 horas seis tibetanos imolaram-se pelo fogo nas regiões tibetanas da China. O último destes atos de desespero aconteceu quinta-feira, no dia da abertura do 18º Congresso do PCC, no final do qual serão designados os novos líderes do país.

"Há uma grande quantidade de polícias nas ruas. Aumentaram as suas patrulhas que estão ativas 24 sobre 24 horas", disse um comerciante da cidade de Tongren à AFP.

Cerca de 70 pessoas, a maioria monges budistas, imolaram-se em fogo ou pelo menos tentaram, desde março de 2011. A China diz ter "libertado pacificamente" o Tibete e ter melhorado a sorte da população, apoiando o desenvolvimento económico da região pobre e isolada. No entanto, muitos tibetanos não suportam as atitudes da China, que consideram uma repressão da sua religião e da sua cultura e dizem que há um crescente domínio da etnia 'Han', a maior etnia chinesa.

A situação está a evoluir nas zonas tibetanas, criando um "círculo vicioso" que irá reduzir a zero os esforços de Pequim para trazer estabilidade através de investimentos do governo central, disse à AFP, Tsering Shakya, um especialista sobre o Tibete, da Universidade da Colômbia Britânica, no Canadá.

"Qualquer que seja a amplificação dos protestos dos tibetanos e qualquer que seja o número de auto-imolações, a nova liderança chinesa não fará concessões aos manifestantes", disse à AFP. "Os chineses consideram esses atos como um grande desafio à autoridade do governo central", acrescentou.

Ler mais

Exclusivos