Era Hu Jintao com um "balanço glorioso" mas "crescentes problemas sociais"

Os automóveis privados na China aumentaram quase oito vezes na última década, atingindo os 78,2 milhões em 2011, e no mesmo período, cerca de 180 milhões de chineses rurais foram viver para as cidades.

Aqueles números, que se sentem diariamente nas ruas de Pequim ou Xangai, não são novos, mas enchem os balanços da Era Hu Jintao publicados na imprensa oficial por ocasião do 18º Congresso do PCC, que até quarta-feira irá escolher a liderança do país para a próxima década.

Hu Jintao, nascido em 1942, terminará então o segundo e último mandato como secretário-geral do PCC, devendo ser substituído pelo atual vice-presidente, Xi Jinping, onze anos mais novo.

Sob a liderança de Hu Jintao, a China tornou-se o maior exportador e a segunda economia mundial, à frente da Alemanha e do Japão, e se mantiver o ritmo de crescimento (acima de sete por cento ao ano) - disse hoje um jornal oficial - já em 2016 poderá ultrapassar os Estados Unidos.

A extensão da rede de auto-estradas mais do que triplicou, estendendo-se por 84.900 quilómetros, o número de utilizadores da internet subiu de 33,7 milhões para mais de 510 milhões e as receitas dos cinemas cresceram treze vezes, para 13,1 mil milhões de yuan.

E o número dos que 'surfam a net' a partir de um dispositivo móvel passou de zero para 356 milhões.

Em 2002 a China tinha apenas onze empresas na lista das "500 maiores companhias do mundo" elaborada pela revista Fortune; dez anos depois eram 69.

As reservas cambiais, as maiores do mundo, aumentaram 2,895 biliões de dólares (2,274 biliões de euros), para 3,181 biliões de dólares (2,499 biliões de euros).

Muitos indicadores da "década que transformou a China" (2002-11) são espetaculares, mas como Hu Jintao reconheceu no relatório apresentado ao congresso, "os problemas sociais aumentaram acentuadamente" e o fosso entre ricos e pobres e as disparidades regionais "ainda são grandes".

Cerca de 120 milhões de chineses (nove por cento da população) vivem ainda abaixo da "linha de pobreza", com menos de 2.300 yuan (300 euros) por ano. Ao mesmo tempo, o número de milionários, com fortunas superiores a 10 milhões de yuan (1,3 milhões de euros), aumentou 6,3 por cento em relação a 2011, para 1,02 milhões.

A corrupção também continua a ser uma grande fonte de descontentamento popular: "Se não conseguirmos controlar bem essa questão, isso poderá ser fatal para o Partido e até causar o colapso do Partido e a queda do Estado", alertou Hu Jintao.

"Não devemos rebaixar-nos nem ser arrogantes", disse também o ainda secretário-geral do PCC.

Num editorial publicado hoje, o jornal Global Times, considerado um porta-voz dos setores "nacionalistas" e "populistas", sustenta que "a classificação da China na economia global é menos importante do que a política interna".

"A China tornar-se a maior economia do mundo é só uma questão de tempo", mas "a questão chave é saber se o país pode satisfazer as crescentes expectativas do povo", diz o jornal.

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