Dia tranquilo em Banguecoque abre novo ciclo da crise

Incidentes das últimas semanas ultrapassaram em gravidade os protestos de 1992, que ditaram o fim dos militares no poder

Os militares tailandeses patrulhavam ontem as ruas de Banguecoque, finalmente tranquilas após nove semanas de manifestações recorrentes e violentos confrontos com as forças de segurança protagonizados pelos opositores ao Governo de Abhisit Vejjajiva.

Continua em vigor o recolher obrigatório e os sinais de destruição são patentes no centro de Banguecoque, enquanto dos seus arredores partiam os últimos autocarros com militantes do movimento "camisas vermelhas" oriundos das províncias, onde se encontra a maioria dos apoiantes de Thaksin Shinawatra, afastado do poder por um golpe militar em Setembro de 2006. Mas, como notavam ontem comentadores tailandeses e estrangeiros, a contestação ao Governo que causou, pelo menos, 82 mortos e 1800 feridos, cavou novas trincheiras na vida política deste país, além da clivagem entre as elites da capital e a população das províncias ou entre o sector monárquico tradicionalista e os sectores reformistas. Há a percepção de que o país viveu nestas semanas a passagem para um ponto de não retorno, que o deixa às portas de nova fase de uma crise política longe do fim. Thaksin não saiu incólume dos acontecimentos, mais violentos do que as manifestações de 1992, que ditaram o fim dos governos militares. Indirectamente, ele é um dos responsáveis da violência destas semanas. Por outro lado, a presença militar em Banguecoque e o estado de sítio em 22 províncias não é garantia de que, após o fim destas medidas, os "camisas vermelhas" não voltem às ruas. Afinal, só perderam uma batalha.

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