Autoridades chinesas impedem acesso a mesquitas em Xinjiang

Confrontos étnicos entre han e uígures estão a levar muitas pessoas a abandonar Urumqui. Em Kashgar, a rebelião não foi sufocada

Milhares de pessoas, sobretudo de etnia han, estavam ontem a abandonar a capital do Xinjiang, Urumqui, no extremo ocidental da China. A região autónoma foi palco, esta semana, de confrontos que fizeram pelo menos 156 mortos e mil feridos. As vítimas eram han, maioritários na China, e uígures, que são muçulmanos e falam uma língua de origem turca.

Ontem, as mesquitas de Urumqui estavam na sua maioria fechadas, apesar ser o dia semanal de reza para os muçulmanos. Segundo testemunho de um jornalista da AFP, uma destas mesquitas estava guardada por tropas e tinha um cartaz em que se podia ler: "Voltem para as vossas casas para rezar."

Se a capital está sob controlo militar, as autoridades de Kashgar, a segunda cidade do Xinjiang, pediram aos jornalistas estrangeiros que abandonem o local, "para sua segurança". Informações não confirmadas dão conta de tumultos também nesta cidade, com mais de cem mortos.

Urumqui tem dois milhões de habitantes e é o centro da emigração han para o Xinjiang. Kashgar, mil quilómetros a sudoeste e muito mais pequena (350 mil habitantes), fica na antiga Rota da Seda e é um importante centro da cultura dos uígures. As autoridades chinesas usam muitas vezes o argumento da segurança quando pretendem afastar os jornalistas de zonas sensíveis.

Pequim atribui os incidentes na região autónoma a separatistas uígures, que classifica como "terroristas" ligados à Al-Qaeda. Analistas ocidentais dizem que na origem do conflito está a frustração dos uígures (apenas oito milhões) confrontados com a emigração em massa de étnicos han, que dominam a economia da região.

No ano passado, um pouco antes do início dos Jogos Olímpicos de Pequim, foram noticiadas acções de protesto e segundo os activistas uígures foram presas mais de 1300 pessoas.

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